O paclitaxel é um quimioterápico que atua bloqueando a estrutura interna que as células usam para se dividir, chamada microtúbulo. Esses microtúbulos são responsáveis por organizar e separar o material genético durante a divisão celular. Ao impedir que as células tumorais completem sua multiplicação, o medicamento reduz o crescimento e a disseminação do câncer.
A medicação costuma ser indicada para o tratamento de câncer de ovário, câncer de mama, câncer de pulmão de não pequenas células, sarcoma de Kaposi, angiossarcoma e adenocarcinoma metastático de estômago. Em diferentes protocolos terapêuticos, pode ser administrado isoladamente ou em associação com outros agentes antineoplásicos, como compostos de platina, trastuzumabe e gencitabina.
No câncer de ovário e endométrio, especificamente, o paclitaxel pode ser utilizado tanto como terapia de primeira linha em associação a compostos de platina quanto em tratamentos subsequentes. Já no câncer de mama, integra esquemas neoadjuvantes e adjuvantes, além de ser empregado em casos avançados ou metastáticos. Também faz parte de estratégias terapêuticas para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células que não apresentam indicação para cirurgia ou radioterapia com intenção curativa. No contexto do câncer gástrico tem aplicabilidade em linhas avançadas.
Como é usado
O paclitaxel é um medicamento de uso exclusivamente hospitalar e sua administração ocorre por infusão intravenosa, realizada por profissionais de saúde especializados. As apresentações disponíveis podem variar quanto à formulação e ao tempo de infusão.
A frequência de administração muda conforme o tipo de câncer tratado. Em muitos protocolos para câncer de mama, ovário e pulmão, o fármaco tende a ser administrado a cada três semanas. Em algumas formulações utilizadas para câncer de pulmão de não pequenas células, as aplicações podem ocorrer nos dias 1, 8 e 15 de ciclos de três ou quatro semanas.
É importante lembrar que a dose é individualizada e definida pelo médico oncologista com base em fatores como peso corporal, condição clínica do paciente, resposta ao tratamento e ocorrência de eventos adversos.
Efeitos colaterais
Como ocorre com diversos medicamentos antineoplásicos, o paclitaxel pode provocar uma série de efeitos adversos. Entre os mais frequentemente relatados estão:
- Náusea;
- Vômito;
- Diarreia;
- Fadiga;
- Fraqueza;
- Queda de cabelo;
- Dores musculares;
- Dores articulares;
- Inflamação na boca ou na garganta;
- Dor, vermelhidão, inchaço e irritação no local da infusão;
- Retenção de líquidos (com inchaço em mãos, pés e tornozelos);
- Alterações visuais;
- Boca seca;
- Redução do volume urinário.
Um dos efeitos adversos mais relevantes é a neuropatia periférica, caracterizada por dormência, formigamento, queimação ou perda de sensibilidade nas mãos e nos pés. Dependendo da intensidade, esse quadro pode exigir ajustes no tratamento.
O medicamento ainda pode reduzir a produção de células sanguíneas pela medula óssea, aumentando o risco de infecções, anemia e sangramentos. Por essa razão, exames laboratoriais periódicos costumam ser necessários durante todo o tratamento.
Entre os efeitos considerados graves estão reações alérgicas, falta de ar, alterações do ritmo cardíaco, dor no peito, desmaios, convulsões, infecções severas e problemas respiratórios. Nesses casos, a avaliação médica imediata é indispensável. Se necessário, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) poderá ser acionado pelo número 192.
Contraindicações
O uso de paclitaxel é contraindicado para pacientes com histórico de hipersensibilidade ao próprio medicamento ou a componentes presentes em determinadas formulações, como albumina humana ou óleo de rícino polioxietilado. O tratamento tampouco deve ser iniciado em pessoas com contagem significativamente reduzida de glóbulos brancos, condição que aumenta o risco de infecções graves.
Pacientes com doenças hepáticas, cardíacas ou outras condições clínicas relevantes devem ser avaliados cuidadosamente antes do início da terapia, uma vez que essas situações podem exigir monitoramento mais rigoroso ou adaptações no tratamento.
Como o medicamento apresenta potencial de causar danos ao feto, não deve ser utilizado durante a gravidez, salvo em circunstâncias excepcionais avaliadas pela equipe médica. A amamentação também não é recomendada durante o uso do paclitaxel.
Revisão técnica: Douglas Dias e Silva, oncologista clínico no Einstein Hospital Israelita (CRM SP 220163)




