O nivolumabe é um medicamento do tipo anticorpo monoclonal, pertencente à classe dos inibidores de checkpoint imunológico, um grupo de medicamentos que revolucionou o tratamento oncológico nas últimas duas décadas. O fármaco não ataca diretamente as células tumorais, como fazem os quimioterápicos tradicionais: ele atua destravando o próprio sistema imunológico do organismo para que as células de defesa, os linfócitos T, reconheçam as células cancerígenas como ameaças e as eliminem.
O mecanismo de ação está relacionado a uma espécie de “artimanha” que as células cancerígenas desenvolvem para escapar da vigilância imunológica do corpo. Muitos tumores expressam em sua superfície a proteína PD-L1, que se liga ao receptor PD-1 presente nas células T. Essa ligação funciona como um interruptor de desligamento, fazendo com que o sistema de defesa identifique a célula tumoral como se fosse um tecido saudável.
Ao ligar-se ao receptor PD-1, o nivolumabe impede esse encaixe e remove o freio que mantinha as células de defesa inativas diante do tumor. Por isso, o medicamento é indicado para tratar uma ampla variedade de tumores sólidos e hematológicos, isoladamente ou combinado a imunoterapias, como o ipilimumabe, terapias-alvo ou esquemas de quimioterapia.
Entre as indicações mais comuns destacam-se os casos de:
- Melanoma avançado ou metastático;
- Câncer de pulmão de células não pequenas;
- Carcinoma de células renais;
- Linfoma de Hodgkin clássico;
- Carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço;
- Carcinoma urotelial;
- Câncer colorretal com instabilidade de microssatélites;
- Carcinoma hepatocelular,;
- Mesotelioma pleural maligno;
- Tumores do esôfago e do estômago.
Em alguns desses casos, o medicamento também pode ser utilizado como um tratamento adjuvante, ou seja, administrado após a cirurgia de retirada do tumor para reduzir o risco de recidiva (retorno da doença).
O nivolumabe é administrado exclusivamente por via intravenosa, em ambiente hospitalar ou clínico, sob supervisão de um profissional de saúde habilitado. A infusão costuma durar cerca de 30 minutos, sendo repetida em intervalos que variam de duas ou quatro semanas, a depender da dose utilizada,do tipo de câncer tratado, do esquema terapêutico escolhido e de eventuais combinações com outros remédios.
Efeitos colaterais
Uma vez que o nivolumabe atua estimulando o sistema imunológico, seus efeitos colaterais mais característicos decorrem justamente do excesso de atividade das defesas do corpo, que podem passar a atacar outrosórgãos e tecidos saudáveis. Esse fenômeno é conhecido como reação imunomediada e pode surgir a qualquer momento durante o tratamento ou mesmo após encerrado.
Quando utilizado isoladamente, os efeitos colaterais mais comuns do nivolumabe incluem:
- Cansaço;
- Fraqueza;
- Náusea;
- Diarreia;
- Redução do apetite;
- Coceira e erupções na pele;
- Dor de cabeça;
- Febre;
- Alterações no paladar;
- Problemas hormonais, como disfunções na tireoidee da adrenal.
Quando combinado ao ipilimumabe, uma outra imunoterapia, de mecanismo de ação diferente,o perfil de efeitos colaterais tende a ser mais intenso, somando-se sintomas como dor abdominal, dor muscular e articular, tosse e infecções respiratórias.
Mais raramente, o usuário do medicamento pode enfrentar reações adversas mais graves, como:
- Inflamação em pulmões, intestino, fígado, rins e glândulas hormonais;
- Reações cutâneas severas;
- Problemas neurológicos;
- Inflamação do músculo cardíaco;
- Reações relacionadas à própria infusão do medicamento, que podem incluir aperto no peito, falta de ar e inchaço no rosto.
Nesses casos, o mais indicado é procurar imediatamente ajuda profissional em um pronto-socorro. Se necessário, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) poderá ser acionado pelo número 192.
Contraindicações
O nivolumabe exige avaliação médica criteriosa antes de ser prescrito e durante todo seu tratamento, especialmente em pacientes com histórico de doenças autoimunes, como lúpus, doença de Crohn ou colite ulcerativa, dado que o estímulo ao sistema imunológico pode agravar essas condições.
Também demandam atenção especial pacientes transplantados de órgãos sólidos, pelo risco de rejeição do enxerto, e aqueles que já passaram ou vão passar por transplante alogênico de células-tronco, situação em que pode haver complicações graves, incluindo a doença do enxerto contra o hospedeiro.
Pessoas com doenças neurológicas, como miastenia gravis ou síndrome de Guillain-Barré, histórico de radioterapia torácica ou doença hepática também precisam informar essas condições à equipe médica antes de iniciar o tratamento.
Como o medicamento pode causar dano ao feto, mulheres em idade fértil devem utilizar método contraceptivo eficaz durante todo o tratamento e por pelo menos cinco meses após a última dose. A amamentação deve ser evitada pelo mesmo período.
Revisão técnica:Matheus de Aguiar Balarine, oncologista clínico no Einstein Hospital Israeluta (CRM 194839)




