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Fezolinetanto: como funciona a terapia não hormonal para menopausa

Atualizado em 11/08/2026
Tempo de leitura: 3 minutos

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Uma mulher utilizando um ventilador portátil por causa as ondas de calor da menopausa

Aprovado em junho de 2026 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento fezolinetanto pertence à classe dos antagonistas do receptor de neurocinina 3 (NK3). Esse grupo de medicamentos atua diretamente sobre os mecanismos neurológicos responsáveis pelas alterações da temperatura corporal durante a menopausa.

Diferentemente da terapia de reposição hormonal, considerada o tratamento de primeira linha para muitas mulheres, esta opção não utiliza hormônios. Basicamente, sua ação consiste em bloquear a ligação da neurocinina B aos neurônios KNDy, ajudando a restabelecer o equilíbrio do centro termorregulador localizado no hipotálamo.

Por conta desse mecanismo, a substância consegue reduzir tanto a frequência quanto a intensidade dos sintomas vasomotores típicos desse processo, que incluem ondas de calor (fogachos), rubor, suor excessivo, calafrios e, em alguns casos, palpitações. Essas reações estão entre as manifestações mais comuns da menopausa e podem atingir até 80% das mulheres com idades entre 40 e 65 anos.

Além do desconforto imediato, os sintomas ainda podem comprometer o sono, a produtividade, a saúde emocional e a qualidade de vida. Em estudos clínicos, o fezolinetanto conseguiu demonstrar eficácia de 53% na redução das ondas diárias de calor.

No Brasil, o produto será comercializado sob o nome comercial Veoza. Mas ainda poderá demorar algum tempo até que o fármaco possa ser encontrado nas farmácias do território nacional. Isso porque ele ainda precisa passar pelo processo de precificação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Como utilizar o fezolinetanto

O fármaco é apresentado em comprimidos para administração oral. A recomendação é de um comprimido uma vez ao dia, com ou sem alimentos, preferencialmente sempre no mesmo horário.

Caso uma dose seja esquecida, a orientação é tomá-la assim que possível. Entretanto, se faltarem menos de 12 horas para a próxima administração, a dose esquecida deve ser desconsiderada, mantendo-se o esquema habitual. Não é recomendado dobrar a dose para compensar o esquecimento.

Antes e durante o início do tratamento, podem ser necessários exames periódicos para monitorar a função hepática, uma vez que há riscos de alterações no fígado. Daí a necessidade de acompanhamento médico regularmente.

Efeitos colaterais

Os eventos adversos mais frequentemente observados com o uso do fezolinetanto incluem:

  • Dor abdominal;
  • Diarreia;
  • Dor nas costas;
  • Dificuldade para dormir.

Embora menos comuns, reações mais graves exigem interrupção do tratamento e avaliação médica imediata. Entre elas estão sinais sugestivos de lesão hepática, como perda de apetite, náuseas, vômitos, dor na parte superior direita do abdômen, cansaço intenso, coceira, urina escura, fezes claras e coloração amarelada da pele ou dos olhos.

Reações alérgicas importantes, com dificuldade para respirar ou inchaço da face, lábios, língua ou garganta, também demandam atendimento de urgência. Caso seja necessário, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) poderá ser acionado pelo número 192.

Contraindicações

Gestantes, mulheres que planejam engravidar e lactantes devem discutir o uso do medicamento com o médico e utilizá-lo apenas mediante recomendação profissional.

O fezolinetanto não deve ser utilizado por pessoas com cirrose hepática ou doença renal grave, incluindo insuficiência renal em estágio terminal. Também é contraindicado para pacientes com hipersensibilidade conhecida ao princípio ativo ou a qualquer componente da fórmula.

Converse com seu médico para saber qual é a estratégia ideal para você lidar com os sintomas da menopausa.

Revisão técnica: Alessandra Bedin, médica ginecologista, obstetra e nutróloga no Einstein Hospital Israelita (CRM 90562 / RQEs 19534 e 87355)

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