O pembrolizumabe é um anticorpo monoclonal que pertence à classe dos chamados inibidores de ponto de controle imunológico (checkpoint inhibitors), voltado especificamente para o bloqueio do receptor PD-1.
Diferentemente da quimioterapia tradicional, que ataca diretamente as células cancerígenas, este medicamento age sobre o próprio sistema de defesa do organismo, retirando os freios que o câncer impõe à resposta imune.
Algumas células tumorais desenvolvem a capacidade de produzir as proteínas PD-L1 e PD-L2, que se ligam aos receptores PD-1 presentes nos linfócitos T. Essa ligação funciona como um interruptor de desligamento, impedindo que essas células de defesa reconheçam e ataquem o tumor.
O pembrolizumabe se conecta ao PD-1 antes que isso aconteça, bloqueando essa interação. Com o freio removido, os linfócitos T voltam a identificar as células cancerígenas com mais eficiência, o que pode retardar ou interromper o avanço da doença.
Por atuar de forma abrangente sobre o sistema imunológico, e não sobre um tipo específico de célula tumoral, o pembrolizumabe passou a ser indicado para uma ampla variedade de cânceres. O medicamento pode ser utilizado isoladamente ou em combinação com quimioterapia, radioterapia ou outros fármacos.
Entre as indicações estão melanoma, câncer de pulmão de células não pequenas, carcinoma urotelial (incluindo tumores de bexiga), câncer de cabeça e pescoço, câncer gástrico e esofágico, linfoma de Hodgkin clássico, carcinoma de células renais, câncer de mama triplo-negativo, câncer cervical, câncer de ovário, carcinoma do trato biliar, carcinoma cutâneo de células escamosas, câncer endometrial e câncer colorretal.
Em geral, o remédio entra em cena quando o câncer já está em metástase e se espalhou pelo corpo, não podendo mais ser removido por cirurgia, ou quando outros tratamentos deixaram de funcionar. Mas também, tem sido empregado em estágios mais precoces da doença, quando o tratamento tem intuito curativo, para alguns tipos de câncer.
Essa medicação é administrada exclusivamente em ambiente hospitalar ou clínico, sob supervisão de médico especializado em oncologia, e não pode ser aplicada pelo próprio paciente. A forma tradicional é a infusão intravenosa, que dura cerca de 30 minutos. A dose usual em adultos é de 200 mg a cada três semanas ou 400 mg a cada seis semanas, variando conforme o tipo de câncer e o esquema terapêutico associado.
Efeitos colaterais
Como qualquer medicamento, o pembrolizumabe pode causar reações adversas, que variam de leves a graves. Entre os efeitos mais comuns estão:
- Cansaço;
- Fraqueza;
- Dor muscular ou articular;
- Náusea;
- Diarreia;
- Prisão de ventre;
- Perda de apetite;
- Coceira;
- Erupções cutâneas;
- Tosse;
- Falta de ar;
- Febre;
- Alterações no paladar.
Em alguns casos, reações relacionadas à própria infusão também podem ocorrer, como calafrios, tontura, urticária e sensação de aperto no peito.
Os efeitos mais preocupantes, no entanto, decorrem justamente do mecanismo de ação do medicamento. Ao estimular o sistema imunológico, ele pode fazer com que essa resposta ataque órgãos e tecidos saudáveis, não apenas o tumor.
Esse fenômeno, chamado de reação imunomediada, pode afetar pulmões (pneumonite), intestino (colite), fígado (hepatite), rins (nefrite), glândulas produtoras de hormônios como tireoide e suprarrenais, além da pele. Alguns sinais de alerta são:
- Tosse persistente;
- Dor abdominal intensa;
- Fezes com sangue;
- Urina escura;
- Amarelamento da pele ou dos olhos;
- Alterações de humor;
- Sede ou micção excessivas;
- Mudanças bruscas de peso.
Caso algum desses sintomas apareça, o mais indicado é procurar ajuda profissional em um pronto-socorro. Se necessário, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) poderá ser acionado pelo número 192.
Contraindicações
O uso do pembrolizumabe é contraindicado a quem tem hipersensibilidade grave conhecida à substância ou a qualquer componente da fórmula. Também exige cautela redobrada em pessoas com doenças autoimunes preexistentes, como lúpus, doença de Crohn, colite ulcerativa, artrite reumatoide ou psoríase, já que o medicamento pode agravar esses quadros ao intensificar a resposta imunológica.
Pacientes que já passaram por transplante de órgão sólido ou por transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas também correm risco elevado, pois o fármaco pode desencadear rejeição do órgão transplantado ou complicações graves relacionadas ao procedimento. Da mesma forma, pessoas com doenças neuromusculares, como miastenia grave ou síndrome de Guillain-Barré, precisam de atenção especial.
Durante a gravidez, o medicamento é contraindicado sem orientação médica, pois estudos indicam risco de dano ao feto. A amamentação também deve ser evitada nesse mesmo período, já que não se sabe se a substância passa para o leite materno.
Revisão técnica: Rodrigo Saddi, médico oncologista clínico no Einstein Hospital Israelita (CRM-SP 157847 / RQE 100098)




