Essa é uma das partes onde existem mais lendas e boatos na área de ortopedia pediátrica, e por isso é tão importante a avaliação de um especialista.
Isso ocorre porque alguns desvios de fratura, que não seriam aceitáveis em adultos, são passíveis de tratamento com gesso em pacientes mais jovens.
Mais frequente ainda, por outro lado, são aqueles que acreditam que todas as fraturas podem ser tratadas sem intervenção, somente com imobilização, levando a um resultado sempre positivo.
No entanto, isso não é verdade, pois há fraturas que não toleram certos desvios, sobretudo quando envolvem as regiões próximas às articulações ou acometem diretamente as cartilagens de crescimento. Nestes casos, os ossos devem ser reduzidos (colocados de volta ao lugar) e eventualmente fixados por meio de cirurgia, pois podem levar a resultados inadequados no caso de tratamento incorreto.
Por diversos fatores, as fraturas em crianças costumam ter um bom prognóstico (boa evolução) após o tratamento, com algumas exceções. Acredita-se que por estarem menos sujeitas a traumas de grande impacto, utilizarem imobilização por menor tempo e apresentarem o fenômeno da remodelação, a gravidade das fraturas é menor e há um menor comprometimento das estruturas ao redor, preservando mais a função do membro acometido.
Eventualmente pode ser necessária reabilitação com fisioterapia ou terapia ocupacional, mas esta não é a regra, já que muitos estudos já demonstraram que, para algumas lesões, o resultado sem a realização de fisioterapia pode ser melhor do que com ela.
Em situações como essa, procure um médico imediatamente, pois ele saberá como cuidar dos próximos passos.
Revisão técnica: Fernando A. D. Oliveira, médico ortopedista e traumatologista pediátrico pela FMRP- USP, pós-graduado em medicina esportiva pela Unifesp e médico do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.