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Dor do lado direito da barriga pode indicar câncer? Entenda

Atualizado em 01/07/2026
Tempo de leitura: 3 minutos

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Uma pessoa pressiona o lado direito da barriga, indicando desconforto no local.

A dor no lado direito do abdômen é mais frequentemente causada por problemas como cálculos na vesícula biliar, apendicite, gases, doenças do fígado ou alterações renais. No entanto, determinados tipos de câncer também podem se manifestar com desconforto nessa região, especialmente quando associados a outros sintomas.

A região direita do abdômen abriga órgãos como fígado, vesícula biliar, intestino grosso, intestino delgado, rim direito e apêndice. Por isso, diversas doenças podem provocar dor ou desconforto nessa área. Episódios intensos, recorrentes ou persistentes devem ser avaliados por um médico.

Câncer de intestino

Um dos tumores mais frequentemente associados à dor abdominal é o câncer colorretal, que acomete o intestino grosso e o reto. Os sintomas variam conforme a localização da lesão.

No lado esquerdo do intestino, o espaço interno é mais estreito, favorecendo o aparecimento precoce de sintomas como sangramento visível nas fezes e sinais de obstrução intestinal. Já no lado direito, onde o intestino apresenta maior calibre, o tumor pode crescer por mais tempo sem causar sintomas evidentes. Como consequência, muitos casos são diagnosticados em estágios mais avançados.

Um dos sinais mais comuns é a anemia causada por pequenas perdas contínuas de sangue nas fezes, frequentemente imperceptíveis a olho nu. Essa condição pode provocar fadiga, fraqueza, tonturas, falta de ar, palidez e aceleração dos batimentos cardíacos.

Além da anemia, o câncer localizado no lado direito do intestino pode causar diarreia, prisão de ventre, sensação de inchaço abdominal, cólicas, perda involuntária de peso e desconforto persistente na barriga.

Outros tipos de câncer

Nem toda dor relacionada ao câncer tem origem em órgãos localizados no lado direito do abdômen. Em alguns casos, o desconforto surge porque a doença se espalhou para o fígado, órgão situado na parte superior direita da barriga.

Isso pode ocorrer, por exemplo, em casos avançados de câncer de estômago ou de outros tumores que desenvolvem metástases hepáticas. Quando as células cancerígenas atingem o fígado, podem surgir sintomas como dor ou sensação de peso no lado direito do abdômen, perda de apetite, emagrecimento, náuseas, inchaço abdominal e icterícia — caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos.

O próprio câncer de fígado, assim como tumores da vesícula biliar e das vias biliares, também pode provocar dor nessa região. Entretanto, essas doenças costumam estar associadas a outros sinais, como cansaço, perda de peso, alterações digestivas e icterícia.

Sintomas que merecem atenção

A dor abdominal deve ser avaliada por um médico quando é intensa, persistente ou recorrente. Alguns sinais associados aumentam a necessidade de investigação:

  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Sangue nas fezes ou fezes muito escuras;
  • Anemia sem explicação conhecida;
  • Fadiga persistente;
  • Alteração duradoura do hábito intestinal;
  • Presença de massa ou caroço no abdômen;
  • Vômitos persistentes;
  • Dificuldade para engolir;
  • Pele ou olhos amarelados;
  • Febre ou calafrios.

Embora esses sintomas não indiquem necessariamente câncer, podem estar relacionados a doenças que exigem diagnóstico e tratamento precoces.

Quanto antes investigar, melhor

Assim como ocorre com diversas outras doenças, as chances de tratamento bem-sucedido do câncer aumentam significativamente quando o diagnóstico é realizado precocemente.

No câncer colorretal, por exemplo, quando a doença está restrita ao intestino, mais de 90% dos pacientes permanecem vivos cinco anos após o diagnóstico. Já nos casos em que há disseminação para outros órgãos — situação conhecida como metástase — as taxas de sobrevivência tendem a ser menores.

Por isso, a realização de exames preventivos é fundamental, especialmente para pessoas com histórico familiar da doença, síndromes genéticas associadas ao câncer colorretal ou idade compatível com os protocolos de rastreamento.

João Roberto Resende FernandesEspecialista em Clínica Médica, médico do pronto-atendimento e do corpo clínico do Einstein Hospital IsraelitaCRM-SP 203006/RQE 91325

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