Nesses casos, as pacientes têm pesos muito baixos — característico de pessoas anoréxicas — e se "alimentam" de álcool, porque frequentemente têm uma alimentação muito fraca ou fazem exercícios físicos excessivamente para não engordar.
E a matemática pode ser bem complexa: o cálculo calórico do que elas podem consumir por dia é feito com base no que elas vão poder beber, sem pensar em comer. Em geral, conta Silvia, as pacientes fazem jejuns com refeições baseadas em poucas folhas de verduras e alimentos crus sem tempero.
"Essas jovens costumam chegar para tratamento com quadros muito graves porque estão absolutamente desnutridas, embora não se sintam assim", diz Silvia. Isso porque apesar de o álcool ser uma bebida calórica, as calorias são chamadas de "vazias" porque não têm poder nutritivo e não se traduzem em nada de bom para o organismo além do acúmulo de gordura e água.
"A pessoa não vai se nutrir bebendo, mas a caloria do álcool vai dar a sensação de estômago cheio", explica a especialista.
Mas se o álcool tem muitas calorias e acumula gordura, a pessoa não vai engordar se beber? "Não engorda porque, por exemplo, a paciente faz umas contas complicadíssimas de quantas calorias ela precisa ingerir naquele dia para poder beber sem engordar".
"Essa conta é feita com base em dietas muito restritas com poucas calorias [uma alimentação balanceada para um adulto envolve uma dieta, em média, de 2.000 calorias por dia]. Uma paciente que teve, em vez de comer, ingeria 800 calorias de álcool", explica a psicóloga.