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Câncer de peritônio tem cura? Saiba mais sobre essa doença

Atualizado em 20/04/2026
Tempo de leitura: 3 minutos

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Pessoa com desconforto na região do abdômen

O câncer de peritônio é uma doença rara entre os brasileiros, mas que merece atenção por sua relação com outros tumores abdominais e pela dificuldade em ser detectado nos estágios iniciais.

Os tumores que se iniciam nessa parte do corpo têm uma estimativa de incidência de cerca de seis casos para cada 1 milhão de indivíduos.

O que é peritônio?

O peritônio é uma membrana que recobre todos os órgãos dentro do abdômen, como intestinos, fígado, estômago e ovários. Sua principal função é reabsorver líquidos que “vazam” dos órgãos, mas ele também atua na defesa da cavidade abdominal contra doenças e na produção de alguns hormônios.

Existem dois tipos de câncer de peritônio

Tumores secundários: são os mais comuns e ocorrem quando o câncer de outro órgão (como ovário, estômago ou intestino) se espalha para o peritônio.

Tumores primários: extremamente raros, são os que nascem diretamente no peritônio. Eles incluem:

  • Adenocarcinoma de peritônio: mais frequente, é associado a mutações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2, comuns em famílias com histórico de câncer de mama e ovário;
  • Mesotelioma peritoneal: relacionado quase exclusivamente à exposição ao amianto (asbestos), uma família de minérios que já foi muito utilizada em materiais de construção, e que teve seu uso banido.

Manifestações

Nos estágios iniciais, os tumores podem não apresentar sintomas ou causar sinais muito sutis. Com o avanço da doença, podem surgir:

  • cólica abdominal persistente;
  • aumento do volume abdominal (por acúmulo de líquido, chamado de ascite);
  • constipação (intestino preso);
  • náuseas e sensação de empachamento.

Por serem sintomas comuns a diferentes doenças, muitas vezes o diagnóstico acontece tardiamente, o que reforça a importância da investigação médica diante de desconfortos persistentes.

Diagnóstico é um desafio

O câncer de peritônio pode se apresentar como espessamento ou pequenos nódulos na membrana, que nem sempre são identificados na tomografia. Por isso, o padrão-ouro para o diagnóstico é a laparoscopia, um procedimento minimamente invasivo que permite visualizar o peritônio diretamente e coletar amostras (biópsias) para análise.

Outro exame que pode levantar suspeita é o marcador tumoral CA 125, que tende a se elevar quando há qualquer tipo de inflamação nessa parte do corpo, seja devido aos tumores ou por conta de outras doenças, como a endometriose.

Abordagens terapêuticas modernas e personalizadas

O tratamento combina cirurgia e terapias sistêmicas (que têm efeito no corpo todo), definidas conforme o tipo e estágio da doença.

A peritonectomia é a cirurgia para a remoção da parte afetada do peritônio. O procedimento pode ser associado, ou não, à quimioterapia intraperitoneal, ou seja, a aplicação de quimioterápicos diretamente na cavidade abdominal para eliminar células residuais.

Além da quimioterapia tradicional, existem novas estratégias terapêuticas, que permitem tratamentos mais personalizados e eficazes:

  • Antiangiogênicos: bloqueiam a formação de novos vasos sanguíneos que nutrem o tumor, “cortando o suprimento” de oxigênio e nutrientes. É o caso de medicamentos como o befacizumabe;
  • Imunoterapias: estimulam o sistema imunológico do próprio paciente a reconhecer e destruir as células cancerígenas, agindo como um “reforço natural” às defesas do corpo;
  • Terapias-alvo: agem de forma precisa em mutações genéticas específicas das células tumorais, atacando apenas o câncer e poupando as células saudáveis. Entre elas estão o olaparibe e o niraparibe, usados especialmente em tumores associados a mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.

Existe cura?

Sim. Quando o tumor é detectado precocemente e é possível realizar a remoção completa por cirurgia, associada ao tratamento adequado, há chances reais de cura. O desafio está no diagnóstico tardio e na dificuldade de remover completamente o peritônio, já que ele envolve diversos órgãos.

Prevenção: foco nos grupos de risco

Como o tumor primário de peritônio é muito raro, a prevenção é direcionada às pessoas com maior risco genético ou ambiental. Mulheres com mutações BRCA1 ou BRCA2, por exemplo, podem ser orientadas a realizar remoção preventiva de ovários e trompas, o que reduz o risco de câncer peritoneal.

Também é essencial evitar o contato com amianto, ainda presente em algumas construções antigas e ambientes industriais.

Conhecer os sintomas e os fatores de risco para o câncer, além de manter as consultas médicas e exames de rotina em dia, são os principais caminhos para um diagnóstico precoce e um tratamento mais eficaz.

Revisão técnica: Diogo Bugano, oncologista do Einstein Hospital Israelita (CRM-SP 139559)

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