A blefaroplastia é um dos procedimentos mais procurados entre as cirurgias estéticas faciais. Realizada por cirurgiões plásticos ou oftalmologistas especializados em cirurgia palpebral, ela tem como foco o rejuvenescimento da região dos olhos, removendo o excesso de pele e tratando as bolsas de gordura que se formam com o tempo.
No entanto, mais do que um recurso estético, a técnica também pode ter indicações de saúde, especialmente quando o excesso de pele compromete o campo visual. A blefaroplastia, portanto, pode devolver não apenas um aspecto mais descansado, mas também conforto e funcionalidade.
Nos casos de ptose palpebral verdadeira, em que há dificuldade de abrir completamente os olhos devido à fraqueza muscular, a blefaroplastia tem caráter essencialmente funcional. Essa distinção entre o aspecto estético e o médico é importante, já que a avaliação precisa definir se o objetivo principal é melhorar a aparência, o conforto ou ambos.
Quem pode realizar o procedimento e quais são os riscos
Um bom candidato à blefaroplastia é aquele que apresenta excesso de pele ou gordura confirmados no exame físico e apresenta queixas compatíveis com o que o procedimento pode corrigir. Também é fundamental estar em boas condições de saúde geral e ter expectativas realistas em relação ao resultado.
Entre as condições que exigem atenção estão doenças como hipertensão, diabetes e distúrbios da tireoide, que devem estar controladas antes da cirurgia. Além disso, pacientes com olho seco severo ou blefarite ativa precisam tratar essas condições previamente, já que podem aumentar o risco de complicações.
Os principais riscos associados à blefaroplastia incluem:
- Hematomas e inchaço prolongado;
- Infecção e ressecamento ocular;
- Cicatrização irregular e assimetrias;
- Alterações de posicionamento da pálpebra inferior, como o ectrópio.
Essas complicações são raras quando a cirurgia é bem indicada e conduzida por profissionais experientes, mas reforçam a importância da avaliação individualizada e da escolha de um especialista qualificado.
Como é o pós-operatório?
A recuperação costuma ser rápida e tranquila. Nos primeiros dias, é esperado um leve inchaço e manchas arroxeadas ao redor dos olhos, que desaparecem progressivamente. O paciente deve evitar esforços físicos, aplicar compressas geladas e dormir com a cabeceira levemente elevada para reduzir o edema.
Também é fundamental manter a higiene local conforme as orientações médicas e usar colírios lubrificantes quando houver sensação de ressecamento. Os pontos são geralmente retirados entre cinco e sete dias após o procedimento.
Após a retirada dos pontos, é necessário proteger a área da exposição solar, já que a pele das pálpebras é extremamente sensível. O uso de óculos escuros e filtro solar é indispensável, mesmo em dias nublados. Em cerca de três a quatro semanas, o resultado começa a ficar visível e natural, com aperfeiçoamento gradual ao longo dos meses seguintes.
A disciplina nos cuidados pós-operatórios faz toda a diferença no resultado final, contribuindo para uma cicatrização discreta e harmoniosa.
Diferenças entre blefaroplastia superior e inferior
A blefaroplastia pode ser realizada na pálpebra superior, na inferior ou em ambas, dependendo das necessidades do paciente. Embora tenham objetivos semelhantes, as abordagens cirúrgicas são distintas.
- Na blefaroplastia superior, o foco é remover o excesso de pele e pequenas bolsas de gordura, deixando a cicatriz disfarçada no sulco natural da pálpebra.
- Já a blefaroplastia inferior trata as bolsas e o excesso de pele sob os olhos, podendo ser feita por via transcutânea (pela pele) ou transconjuntival (pela parte interna da pálpebra), técnica usada quando não há sobra significativa de pele.
Cada caso é avaliado individualmente, levando em conta a anatomia do paciente, o grau de flacidez e o efeito estético desejado. A combinação de técnicas é comum e permite resultados mais equilibrados e duradouros.
Associação com outros procedimentos
Muitas vezes, o envelhecimento da face não se restringe à região dos olhos. Por isso, é comum associar a blefaroplastia a outros tratamentos faciais que complementam o rejuvenescimento global.
Entre as combinações mais indicadas estão:
- Elevação do supercílio (brow lift), indicada quando a sobrancelha caída causa aparência de pálpebra pesada;
- Lifting facial, em casos de flacidez acentuada na face e no pescoço;
- Laser ou peeling químico, para melhorar textura, rugas finas e uniformidade da pele;
- Toxina botulínica e preenchimentos, que suavizam linhas de expressão e recuperam o volume perdido.
A associação deve sempre respeitar o equilíbrio facial e o tempo de recuperação de cada técnica, garantindo resultados harmônicos e seguros.
Revisão técnica: Maria Roberta Cardoso Martins, cirurgiã plástica especialista em cirurgia facial, membro do corpo clínico do Einstein Hospital Israelita (CRM 165.437)




