A vasectomia é uma cirurgia simples, rápida e eficaz, indicada para homens que desejam um método permanente de contracepção. É um dos procedimentos mais seguros e confiáveis para evitar gestações, com taxa de eficácia próxima a 99,85%.
Como é o procedimento?
Os espermatozoides são produzidos nos testículos e percorrem um canal conhecido como ducto deferente até chegarem à vesícula seminal, onde se misturam a outras substâncias para formar o sêmen. Na vasectomia, ocorre a interrupção desse canal. Assim, os espermatozoides deixam de chegar ao sêmen e, portanto, não podem fecundar o óvulo.
Durante o procedimento, o urologista palpa o ducto deferente por meio da pele do escroto e realiza uma pequena incisão para localizar o canal, que é então cortado e suturado. Para diminuir o risco de uma reconexão espontânea, um pequeno fragmento de tecido é colocado entre as extremidades seccionadas.
O procedimento tem duração média de 40 minutos e pode ser realizado em centro cirúrgico, com anestesia local ou sedação, esta última considerada uma opção mais confortável para o paciente.
Quem pode fazer
Para realizar a vasectomia, a principal exigência legal é que o paciente tenha 21 anos ou mais. Segundo a legislação brasileira atual, não é mais necessária a autorização da parceira, pois o procedimento é reconhecido como uma decisão individual do indivíduo sobre sua própria capacidade reprodutiva.
Ainda assim, é recomendável que a escolha seja bem refletida e discutida em consulta médica, com orientação adequada sobre o caráter definitivo do método e suas implicações futuras.
O pós-operatório
Geralmente existe um pequeno desconforto local. Só há dor se ocorrer alguma inflamação ou infecção, o que é incomum. No dia do procedimento, o paciente deve ficar em repouso e com bolsa de gelo no local operado, para reduzir o risco de hematomas. No dia seguinte pode ter suas atividades rotineiras, mas deve-se evitar esforços e atividades físicas por uma semana.
O efeito contraceptivo não é imediato. Isso porque ainda podem permanecer espermatozoides armazenados na vesícula seminal, mesmo após a cirurgia. Por esse motivo, é obrigatório realizar um espermograma de controle para confirmar a ausência total de espermatozoides.
O exame deve ser feito após, no mínimo, dois meses do procedimento e também depois de ao menos 20 ejaculações. Somente com o resultado zerado é que o casal pode suspender com segurança o uso de outros métodos contraceptivos.
O sexo muda após o procedimento?
O procedimento é muito seguro e não causa qualquer alteração na função erétil, na libido ou no prazer sexual. Como os espermatozoides deixam de ser liberados, o sêmen pode se tornar um pouco mais líquido. Mas a redução total do volume não é significativa.
E se eu me arrepender?
Antes da vasectomia, é aconselhável considerar o congelamento de esperma em um banco especializado. Ele pode ser utilizado anos depois em tratamentos de fertilidade, caso haja desejo de gravidez no futuro.
A reversão da vasectomia é possível e envolve uma cirurgia realizada com o auxílio de microscópio cirúrgico, que permite a reconstrução do ducto deferente. Trata-se de um procedimento mais complexo e demorado do que a vasectomia, mas não exige internação: o paciente recebe alta no mesmo dia e segue orientações pós-operatórias semelhantes às do procedimento original.
Para homens que desejam ter filhos após a vasectomia, existe ainda a alternativa de coleta de espermatozoides diretamente do testículo, técnica que pode ser utilizada em tratamentos de reprodução assistida, como inseminação artificial ou fertilização in vitro.
Não há consenso absoluto sobre qual abordagem apresenta melhores resultados, pois a escolha depende de fatores como tempo desde a vasectomia, idade do casal e condições de fertilidade. Ainda assim, de modo geral, a reversão da vasectomia costuma ser a opção preferencial quando viável.
Revisão técnica: Wladimir Alfer Júnior., médico urologista no Einstein Hospital Israelita (CRM 35583)




