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É possível detectar um câncer por exame de sangue?

Atualizado em 04/09/2026
Tempo de leitura: 3 minutos

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Coleta de sangue de um paciente para detecção de alterações associadas ao câncer

Exames de sangue podem, de fato, indicar alterações associadas ao câncer e ajudar os médicos na investigação e no acompanhamento de tumores malignos. Porém, na maioria dos casos, não são suficientes para confirmar o diagnóstico.

Alguns tipos de câncer, principalmente os que afetam o sangue e o sistema imunológico, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, podem provocar alterações importantes nos exames de sangue e levantar a suspeita da doença. Ainda assim, geralmente são necessários exames adicionais para confirmar o diagnóstico.

Já os tumores de órgãos sólidos, como pulmão, mama ou cólon, em geral, não são identificados por exames de sangue de rotina e exigem investigação complementar.

Diferentes tipos de exame de sangue

Existem diferentes tipos de exames de sangue que podem ser utilizados na investigação ou no acompanhamento do câncer, cada um com uma finalidade específica:

  1. Hemograma completo: avalia a quantidade e as características das células do sangue. Pode apresentar alterações sugestivas de cânceres hematológicos, como a leucemia, além de ser utilizado para acompanhar os efeitos da doença e do tratamento sobre as células sanguíneas.
     
  2. Marcadores tumorais: medem substâncias que podem ser produzidas pelo próprio tumor ou pelo organismo em resposta à doença. O PSA, por exemplo, pode auxiliar na investigação e no acompanhamento do câncer de próstata, enquanto o CA-125 pode ser utilizado principalmente no acompanhamento do câncer de ovário. Esses marcadores, porém, também podem estar elevados em condições benignas e, isoladamente, não confirmam o diagnóstico de câncer.
     
  3. Análise de proteínas no sangue: alguns exames avaliam proteínas específicas presentes no sangue e podem ajudar na investigação de determinadas doenças. A eletroforese de proteínas e a imunofixação, por exemplo, são particularmente úteis na investigação do mieloma múltiplo.
     
  4. Testes para alterações tumorais no sangue: técnicas conhecidas como biópsia líquida podem pesquisar células tumorais circulantes ou fragmentos de material genético liberados pelo tumor na corrente sanguínea. Esses exames têm aplicações específicas e podem ser utilizados, em alguns tipos de câncer, para identificar alterações moleculares, orientar o tratamento ou acompanhar a evolução da doença.

No geral, a coleta de sangue para a realização desses exames é um procedimento simples e rápido. O preparo varia conforme o teste solicitado. Alguns podem exigir jejum ou outras orientações específicas, que devem ser informadas pelo laboratório ou pelo médico responsável.

Exame de sangue dificilmente confirma o diagnóstico

Como muitos tumores não provocam alterações específicas nos exames de sangue, um resultado normal não exclui a possibilidade de câncer. Por isso, quando há suspeita, o médico pode solicitar exames complementares, como a biópsia, que consiste na retirada de uma amostra de células ou tecido da região suspeita para análise.

Também podem ser solicitados exames de imagem, como radiografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética ou PET-CT, que ajudam a identificar lesões, determinar sua localização e avaliar a extensão.

Há ainda exames utilizados no rastreamento de determinados tipos de câncer, como a mamografia, para o câncer de mama, e o exame citopatológico do colo do útero, conhecido como Papanicolau, para identificar alterações precursoras e auxiliar na prevenção do câncer do colo do útero.

Leitura dos resultados

O prazo para a liberação dos resultados varia de acordo com o exame realizado e com o laboratório. Com eles em mãos, o mais indicado é retornar ao médico que os solicitou, para que os achados sejam interpretados em conjunto com o quadro clínico.

Por mais tentador que possa ser buscar respostas na internet, interpretar os resultados sem orientação profissional pode levar a conclusões equivocadas. Os valores de referência podem variar entre laboratórios, e o significado de uma alteração depende de diversos fatores, como idade, sintomas, histórico pessoal e familiar, doenças preexistentes e medicamentos em uso.

Isso significa que um valor fora da faixa de referência nem sempre indica uma doença, assim como um resultado dentro dos valores esperados não garante, isoladamente, que não exista algum problema de saúde.

Além disso, interpretar exames sem orientação médica pode gerar preocupação desnecessária e até levar à automedicação ou à busca de tratamentos inadequados com base em uma interpretação equivocada.

João Roberto Resende FernandesEspecialista em Clínica Médica, médico do pronto-atendimento e do corpo clínico do Einstein Hospital IsraelitaCRM-SP 203006/RQE 91325

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