Com a chegada dos meses mais quentes e chuvosos, é comum que os casos de dengue aumentem de forma significativa em diversas regiões do Brasil. O calor e o acúmulo de água parada criam o ambiente ideal para a proliferação do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, intensificando a circulação dos vírus.
Vídeo: “Dengue: o que fazer ou não em caso de suspeita”
Nesse contexto, sintomas como febre alta de início súbito (geralmente acima de 38°C), acompanhada de dores intensas no corpo e articulações, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas na pele não devem ser ignorados. Identificar esses sinais precocemente pode fazer toda a diferença para evitar a evolução para quadros mais graves.
Mas como agir a partir da suspeita de dengue? Conheça cinco dicas.
1. Não se automedique
Diante da febre e das dores, é comum recorrer à farmácia mais próxima. Mas isso pode trazer riscos. Na suspeita de dengue, medicamentos como ácido acetilsalicílico (AAS), ibuprofeno e diclofenaco devem ser evitados, pois interferem na função das plaquetas, responsáveis pela coagulação sanguínea. Como a dengue pode reduzir o número de plaquetas, essa combinação de efeitos aumenta o risco de sangramentos severos.
Pessoas com doenças cardíacas ou neurológicas que fazem uso contínuo de remédios que interferem na coagulação, como ácido acetilsalicílico em dose cardiológica ou outros anticoagulantes e antiagregantes plaquetários, não devem interromper o tratamento por conta própria. No entanto, é recomendado buscar aconselhamento médico.
2. Hidrate-se
Não há um medicamento específico capaz de eliminar o vírus da dengue. O tratamento é de suporte, e a hidratação é um de seus eixos centrais. Durante a fase aguda da doença, o organismo pode perder líquidos de forma intensa. A febre aumenta a demanda hídrica, e sintomas como vômitos contribuem para a desidratação. Além disso, a própria infecção pode alterar a permeabilidade dos vasos sanguíneos, favorecendo a perda de líquidos.
Dessa forma, beber água é essencial para manter o organismo funcionando plenamente. Para adultos, a orientação geral é ingerir cerca de 60 mL por quilo de peso ao dia. Uma pessoa com 70 kg, por exemplo, deve consumir aproximadamente 4 litros diários, distribuídos ao longo do dia. Não espere sentir sede: a hidratação precisa ser contínua. Além da água, soro de reidratação oral, água de coco e caldos leves são boas opções.
3. Evite o consumo de álcool
O fígado pode ser temporariamente afetado pelo vírus da dengue. Assim, o consumo de bebidas alcoólicas durante o quadro, além de contribuir para a desidratação, sobrecarrega ainda mais esse órgão. Mesmo quem apresenta sintomas leves deve evitar completamente o álcool até a recuperação total.
4. Descanse
Outro ponto frequentemente subestimado é o repouso. Manter atividades físicas ou rotinas extenuantes durante a fase aguda pode piorar o quadro e dificultar a recuperação. Mais grave ainda é ignorar os chamados sinais de alerta, que indicam possível evolução para formas graves da doença. Entre eles estão:
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Sangramentos (nariz, gengiva e fezes);
- Sensação de desmaio ou queda de pressão;
- Sonolência excessiva ou confusão.
Esses sinais costumam surgir justamente quando a febre começa a ceder, entre o 3º e o 5º dia da doença. Por isso é tão importante o acompanhamento médico durante todas as fases.
5. Vacine-se
A prevenção também passa pela imunização. A vacinação contra a dengue no Sistema Único de Saúde (SUS) é organizada por faixas etárias e tipos de imunizantes. Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, está disponível a vacina Qdenga, aplicada em duas doses, com intervalo de três meses entre elas.
O esquema deve ser completado para garantir a proteção adequada contra os quatro sorotipos do vírus. A imunização ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e integra a estratégia nacional de enfrentamento à doença, especialmente em áreas com maior risco de transmissão.
Para as demais faixas etárias, o país passou a contar em 2026 com a vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, que se trata do primeiro imunizante contra a dengue, no mundo, administrado em dose única. Indicada para pessoas de 15 a 59 anos, sua aplicação ainda está restrita a grupos prioritários. Assim como Qdenga, a Butantan-DV oferece cobertura contra os quatro sorotipos da dengue.
Revisão técnica: Alexandre R. Marra, pesquisador do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE).
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