Normalmente, quem busca ajuda não é a pessoa com ortorexia e sim a família. Isso porque na maioria das vezes a pessoa com ortorexia está de acordo com aquele comportamento, que ela considera absolutamente normal e saudável.
"A pessoa passa a se isolar, não sai mais, passa a maior parte do tempo se preocupando em restringir determinados alimentos. A pessoa perde a capacidade de convivência e isso é patológico", explica o psiquiatra.
Para chegar ao diagnóstico correto, a primeira coisa é excluir outros transtornos psiquiátricos que possam levar àquele comportamento, entre eles a esquizofrenia (paciente pode ter delírios de envenenamento e achar que aquele alimento vai envenená-lo).
O transtorno obsessivo compulsivo (quando a comida inadequada é parte das crenças obsessivas) e quadros ansiosos e depressivos (como a fobia de engasgamento, que é um transtorno mais comum em idosos que têm medo de engolir e, por isso, abrem mão de uma série de alimentos).
Então, a segunda coisa a se fazer é ampliar o repertório alimentar e melhorar a qualidade nutricional da pessoa; já a terceira linha de tratamento é prevenir as alterações que esse comportamento trouxe, com tratamento médico antidepressivo para reduzir a angústia que a transição alimentar vai trazer.
O desafio para diagnosticar a ortorexia ainda é imenso, afinal é uma linha tênue separar o que é alimentação saudável do que é um comportamento patológico em torno do que a pessoa acredita que seja uma alimentação saudável, geralmente com base em relatos nas mídias sociais.
Ainda há poucos estudos sobre o tema e métodos terapêuticos disponíveis — além de poucos centros especializados nesse tipo de tratamento. Por isso, o enfoque deve ser sempre multidisciplinar, com apoio do psiquiatra, nutricionista e psicólogo.
Revisão técnica: Alexandre R. Marra, pesquisador do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE).