Os diferentes tipos de câncer de pele representam, juntos, cerca de um terço de todos os diagnósticos de tumores malignos no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Isso dá uma ideia da prevalência dessa doença, cujo principal fator de risco é a exposição solar, e da importância de se proteger dos raios ultravioleta (UV).
Os cânceres de pele podem ser divididos basicamente em dois grupos: melanoma (mais raro e agressivo) e não melanoma (que tem baixa letalidade, mas é muito comum). Ambos se manifestam como lesões de pele e podem ser silenciosos, sem causar dor ou outro sintoma.
O câncer é caracterizado pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Para entender melhor as diferenças entre os diferentes tipos de tumor, é preciso compreender que a camada externa da pele (epiderme) possui diversos tipos de células:
- Células escamosas: são células achatadas que ficam na parte mais externa da epiderme e são eliminadas à medida que novas células se formam;
- Células basais: localizadas na parte inferior da epiderme. Elas se dividem continuamente para formar novas células que substituem as células escamosas;
- Melanócitos: são as células que produzem um pigmento chamado melanina, responsável pela cor da pele e pelo bronzeado.
Principais tipos de câncer de pele
Dentre os cânceres de pele do tipo não melanoma, os principais são:
Carcinoma basocelular (CBC)
É o mais comum, com altas chances de cura quando detectado precocemente. Afeta as células basais e, com frequência, se apresenta como uma pápula (lesão sólida e elevada) avermelhada, brilhosa e com uma crosta no centro, que pode sangrar com facilidade. Surge principalmente em áreas do corpo mais expostas ao sol, como couro cabeludo, face, orelhas, pescoço, ombros e costas.
Carcinoma escamoso (CEC)
Segundo mais prevalente, afeta as células escamosas e pode surgir em qualquer parte do corpo, embora seja mais frequente também em regiões mais expostas ao sol. Costuma se apresentar como uma verruga ou ferida com coloração avermelhada e descamativa, que não cicatriza.
Ainda existem outros tipos de câncer de pele não melanoma que são mais raros: carcinoma de células de Merkel; sarcoma de Kaposi; linfoma de pele; tumores anexiais de pele e outros tipos de sarcomas. Juntos, eles não chegam a representar 1% de todos os casos da doença.
Melanoma
É o tipo de câncer de pele menos frequente e tem origem nos melanócitos. Apesar de ter índice mais alto de letalidade (por ser mais propenso a crescer e a se disseminar), também pode ser curado se detectado precocemente. O melanoma pode surgir em áreas de difícil identificação, embora sejam mais comuns no rosto e no pescoço, nas pernas (em mulheres) e no tronco (nos homens). Sua aparência é a de uma pinta ou nódulo com tons castanhos ou pretos, que mudam de cor, formato ou tamanho.
Fatores de risco
O principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele é a exposição solar. Pessoas com fototipos mais baixos (ou seja, que sempre se queimam e nunca se bronzeiam, em geral, ruivos e/ou loiros e pessoas de olhos claros) têm maior risco de desenvolver algum câncer de pele ao longo da vida, caso se exponham ao sol sem protetor solar.
Indivíduos com doenças que causem imunossupressão ou que sejam tratados com imunossupressores também têm maior risco de desenvolver câncer de pele.
Como identificar
Apenas um médico especializado ou uma biópsia podem diagnosticar o câncer de pele, mas é importante prestar atenção aos seguintes sinais:
- Uma lesão na pele elevada e brilhante, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida, com uma crosta central que sangra com facilidade;
- Uma pinta ou nódulo de cor preta ou castanha que muda de cor, textura, aumenta de tamanho ou torna-se irregular nas bordas;
- Uma mancha ou ferida que não cicatriza.
Os dermatologistas costumam se referir à “regra do ABCDE” para reconhecer as manifestações dos principais tipos de câncer de pele:
A - assimetria (um lado do sinal ou pinta é diferente do outro)
B - bordas irregulares indicam maior risco de malignidade
C - cor (dois tons ou mais)
D - dimensão maior que 6 mm
E - evolução (a pinta ou sinal cresce ou muda de cor)
Melanomas que avançaram para outras regiões podem gerar outros sintomas, conforme a área do corpo afetada, como nódulos na pele, inchaço nos gânglios linfáticos, falta de ar, dores abdominais ou de cabeça, por exemplo.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito pelo exame clínico da pele e pela biópsia das lesões suspeitas. Nos últimos anos, houve avanços na dermatoscopia, com uso de lentes de aumento específicas para avaliar lesões de pele em detalhes, o que aumentou a acurácia do diagnóstico.
Softwares de inteligência artificial, grande parte ainda em estudo, também podem contribuir para avaliar simetria, cor e crescimento de lesões com uma precisão maior que a do olhar humano, o que promete melhorar ainda mais a eficiência desse diagnóstico e pode funcionar como triagem nos locais de difícil acesso a um médico especialista.
Tratamentos
Para tumores não melanoma, o tratamento é a remoção cirúrgica da lesão com margens livres. Nos últimos anos, surgiu uma técnica chamada de cirurgia micrográfica de MOHS (indicada para áreas de alto risco), que consiste na realização de análise em tempo real da margem cirúrgica, o que possibilita uma cirurgia menor e mais estética e, ao mesmo tempo, associada a menor risco de recidiva.
Nos raros casos em que as lesões não podem ser retiradas ou estão avançadas, a imunoterapia ou a terapia-alvo podem ser utilizadas.
No caso do melanoma, visto o alto risco de metástase, mesmo em casos iniciais, a abordagem multidisciplinar deve ser realizada desde o início, pois a cura vai depender de uma combinação de cirurgia e terapias sistêmicas (imunoterapia e/ou terapia alvo).
Prevenção é possível
Proteger a pele da exposição solar é a principal medida para evitar o câncer de pele. As recomendações incluem:
- Utilizar protetores solares com FPS de no mínimo 30 e reaplicar a cada duas horas ou menos;
- Evitar expor-se ao sol entre 10 e 16 horas;
- Utilizar barreiras físicas, como roupas, chapéus de abas largas e guarda-sol;
- Jamais utilize câmaras de bronzeamento artificial (o procedimento é proibido no Brasil);
- Consultar um dermatologista uma vez ao ano para um exame completo. Essa frequência pode ser ainda maior para pessoas de pele ou olhos claros, ruivos, pacientes com exposição solar intensa durante a vida ou com histórico familiar ou pessoal de câncer de pele.
Revisão técnica: Diogo de Brito Sales, oncologista clínico (CRM-GO 27289 / RQE 14609), e Isadora Rosan, dermatologista (CRM-GO 28464 / RQE 89393), ambos do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.




