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Doações

Insuficiência cardíaca

Glossário de Saúde do Einstein

CID 10 - I50

  • Condição



O que é insuficiência cardíaca?

A insuficiência cardíaca é uma doença caracterizada pela incapacidade do coração de bombear o sangue de forma adequada. Isso pode acontecer devido a algum problema na contração ou de relaxamento do músculo cardíaco, comprometendo o funcionamento do organismo. Quando não tratada adequadamente, pode prejudicar a qualidade de vida da pessoa.

A insuficiência cardíaca pode acometer qualquer faixa etária e, atualmente, afeta de 1 a 2% da população. Com o passar dos anos, seu risco aumenta e, após os 55 anos, ele pode chegar a 30%.

Infográfico sobre insuficiência cardíaca explicando que a condição ocorre quando o coração não consegue bombear sangue adequadamente. Compara coração normal e coração com insuficiência cardíaca, destacando sintomas como falta de ar, fadiga, inchaço, ganho de peso inexplicado, tosse persistente, batimentos irregulares e dificuldade de concentração.

Sintomas

A doença pode se desenvolver gradualmente, e os sinais variam de pessoa para pessoa. Os sintomas mais comuns da insuficiência cardíaca são:

  • falta de ar: pode ocorrer durante a atividade física, ao deitar-se ou mesmo em repouso
  • fadiga: sensação de cansaço e falta de energia
  • inchaço (edema): pode afetar os tornozelos, pernas, o abdômen e, em casos mais graves, os pulmões, que causa dificuldade respiratória
  • ganho de peso sem explicação aparente: pode ocorrer por causa da reação da retenção de líquido
  • tosse persistente: ocorre quando o acúmulo de líquido nos pulmões causa irritação nas vias aéreas
  • batimentos cardíacos irregulares: arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, são mais comuns e podem causar palpitações e tonturas
  • dificuldade de concentração: a insuficiência cardíaca pode reduzir o fluxo sanguíneo para o cérebro, que causa confusão mental
Infográfico com cinco imagens que ajudam a explicar os principais sintomas da insuficiência cardíaca: tontura, fadiga, falta de ar, dor no peito, perda de apetite e inchaço nos tornozelos


Tipos

Existem três tipos insuficiência cardíaca:

  • insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida: quando o coração perde força para se contrair, indicando no ecocardiograma (exame do coração), uma fração de ejeção (bombeamento do sangue) menor que 40%
  • insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada: quando o relaxamento de alguns músculos do coração não funciona bem, mas o bombeamento do sangue no ecocardiograma tem valor acima de 50%
  • insuficiência cardíaca com fração levemente reduzida: quando o ecocardiograma mostra que o bombeamento do sangue está na faixa de 40 a 50%

As porcentagens indicam a quantidade de sangue que o coração bombeia a cada batimento. A fração de ejeção é um indicador importante para avaliar a eficiência do funcionamento do coração.

Causas

A insuficiência cardíaca é o resultado comum de problemas no coração que levam em conta fatores ambientais e genéticos. Alguns dos principais fatores de risco são:

  • hipertensão
  • diabetes
  • tabagismo
  • altos níveis de gordura no sangue
  • falta de atividade física
  • problemas nas válvulas do coração (que podem ser causados por desgaste ou inflamação)
  • condições presentes desde o nascimento
  • consumo excessivo de álcool
  • fatores genéticos
  • doenças autoimunes
  • inflamações (em pessoas que passaram pela gestação, especialmente após o parto)
  • exposição a substâncias tóxicas (como tratamentos contra o câncer, medicamentos para emagrecimento e estimulantes)
  • infecções (geralmente de origem viral ou causadas por parasitas, como o Trypanosoma cruzi, responsável pela doença de Chagas)

Esses fatores podem levar ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca, de forma direta, por meio de alterações cardiovasculares, ou indireta, como infecções, doenças autoimunes e fatores genéticos.

Diagnóstico

O diagnóstico da insuficiência cardíaca é feito por meio da análise dos sintomas relatados pela pessoa, como falta de ar, inchaço nas pernas e dificuldade para deitar-se. Após a suspeita, o(a) profissional de saúde pode solicitar exames como ecocardiograma, eletrocardiograma e análises de sangue para confirmar o diagnóstico.

Um dos exames de sangue mais importantes é o peptídeo natriurético tipo B (BNP) ou sua fração, o pró BNP, que é um hormônio produzido em resposta ao estresse do coração.

Tratamento

Devido ao acúmulo de líquido nos pulmões e no corpo, pessoas com sintomas recebem diuréticos, medicamentos que atuam nos rins, e orientações para restringir a ingestão de sal e líquidos, o que pode reduzir os sintomas. Além disso, a atividade física orientada é incentivada, pois melhora a qualidade de vida e a tolerância ao exercício, sendo uma parte importante do tratamento.

Atualmente, existem medicamentos que podem auxiliar na melhora da função cardíaca e estabilizar a condição. Em casos específicos, pode ser considerado o uso de marcapasso biventricular para melhorar a coordenação da contração cardíaca e o cardiodesfibrilador implantável para reduzir o risco de arritmias (alterações nos batimentos).

Procedimentos cirúrgicos, como a correção de cardiopatias congênitas, revascularização miocárdica e a substituição de válvulas cardíacas, podem ser necessários em situações específicas.

Para pessoas que não respondem ao tratamento clínico, o transplante cardíaco é uma opção que melhora a qualidade de vida. Por fim, dispositivos de assistência circulatória mecânica, como ventrículos artificiais, podem ser usados temporariamente para apoiar o coração enquanto se aguarda um transplante.

Prevenção

A prevenção dos fatores de risco cardiovasculares é fundamental para reduzir o desenvolvimento da insuficiência cardíaca, que inclui o tratamento adequado da hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, tabagismo, sedentarismo.

Outras ações também podem ajudar na prevenção:

  • cuidados de higiene e moradia adequados (com o objetivo de reduzir a incidência da doença reumática e da doença de Chagas)
  • redução da ingestão de álcool
  • acompanhamento de familiares de pacientes com insuficiência cardíaca de causa indeterminada e de pacientes que utilizam alguns tipos de quimioterápicos

Referências

COSTA, Keyse Cesar; DO NASCIMENTO MOTA, Fernanda Rochelly; RODRIGUES, Karilane Maria Silvino. Preditores de prognóstico da insuficiência cardíaca através de exames de imagem. Research, Society and Development, v. 11, n. 16, p. e344111637804-e344111637804, 2022.

DOURADO, Mavy Batista; OLIVEIRA, Fernanda Santos; GAMA, Glicia Gleide Gonçalves. Perfis clínico e epidemiológico de idosos com insuficiência cardíaca.Rev. enferm. UFPE on line, p. 408-415, 2019.

MARCONDES-BRAGA, Fabiana G. et al. Atualização de tópicos emergentes da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca–2021. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 116, p. 1174-1212, 2021.