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Doações

Câncer de vias biliares

Glossário de Saúde do Einstein

CID 10 - C24.9

  • Doença

O que é câncer de vias biliares?

A definição de câncer de vias biliares engloba todos tumores dessa região, incluindo tumores de vesícula biliar, colangiocarcinoma e papila duodenal. O colangiocarcinoma é o mais comum. É uma doença que afeta os canais responsáveis por transportar o fluido que ajuda na digestão da gordura dos alimentos (bile). Esses canais são chamados de ductos biliares ou vias biliares. Eles ligam o órgão que produz a bile (fígado) ao que a armazena (vesícula biliar) e ao que participa do processamento dos alimentos (intestino delgado).
 

Sintomas

Os sintomas do câncer de vias biliares costumam aparecer quando ocorre o bloqueio dos canais que transportam o fluido produzido pelo fígado (bile), chamados ductos biliares. De modo geral, os principais sinais da doença incluem:

  • pele e olhos amarelados (icterícia): a pele e a parte branca dos olhos (esclera) podem adquirir um tom amarelado devido ao acúmulo de uma substância amarela no sangue, chamada bilirrubina, que pode ser encontrada na bile
  • alterações na urina e nas fezes: a urina adquire um tom escurecido, enquanto as fezes parecem mais claras
  • coceira na pele: costuma ser intensa e pode ocorrer quando a substância amarela presente no fluido produzido pelo fígado (bile), chamada bilirrubina, se acumula na pele
  • perda de apetite: diminuição inexplicada e involuntária do apetite
  • perda de peso inexplicada: mesmo que não haja mudanças na dieta ou na prática de atividades físicas
  • febre alta: temperatura corporal acima de 39 °C, que pode ser acompanhada de suor noturno e sensação de frio e tremores involuntários (calafrios)
  • dor na barriga (abdominal): geralmente sentida na parte direita da barriga (abdome), logo abaixo das costelas. É mais comum em casos avançados

Os mesmos sintomas podem aparecer em outras doenças, por isso, é importante buscar avaliação médica para obter o diagnóstico correto.

Causas

A causa exata do câncer de vias biliares ainda é desconhecida. Ele se forma quando as células dos canais que transportam o fluido produzido pelo fígado (bile), chamados ductos biliares, se multiplicam descontroladamente e formam uma massa (tumor maligno). Isso ocorre devido a alterações nas estruturas que carregam as instruções para o funcionamento dessas células (genes). Alguns fatores de risco podem contribuir para o desenvolvimento desse câncer, como:

  • idade: é mais comum em pessoas idosas, com mais de 65 anos
  • colangite esclerosante primária: doença caracterizada por inflamações e formação de cicatrizes que bloqueiam os canais que transportam o fluido do fígado (ductos biliares)
  • cistos nos ductos biliares: são pequenas bolsas compostas por fluidos que bloqueiam os canais conhecidos como ductos biliares
  • condições que afetam o fígado: como a doença que causa cicatrizes no fígado (cirrose hepática) e infecções causadas por vírus (hepatite B e hepatite C)
  • tabagismo: o uso de produtos feitos com tabaco, como cigarros e cachimbos, pode contribuir para o surgimento de alterações nas células 
  • obesidade: pessoas com excesso de peso podem apresentar um maior risco de desenvolver câncer de vias biliares
     

Diagnóstico

O diagnóstico do câncer de vias biliares envolve alguns exames, como:

  • exame clínico: análise dos sintomas, que podem incluir urina escura, fezes claras, coceira na pele, febre, perda de apetite e de peso e pele e olhos amarelados (icterícia)
  • exames de sangue: servem para identificar substâncias que podem indicar a presença do câncer (marcadores tumorais) e para avaliar se há aumento nos níveis de substâncias liberadas pelo fígado (como a bilirrubina), o que pode sinalizar alterações no funcionamento do órgão
  • tomografia computadorizada: exame que utiliza raios-x para gerar imagens detalhadas dos órgãos internos
  • ressonância magnética: exame que usa ímãs (campo magnético) e ondas de rádio para criar imagens do interior do corpo. Pode ser combinada com um exame que permite visualizar detalhadamente os canais que transportam o fluido produzido pelo fígado (ductos biliares). Esse exame é chamado colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM)
  • ultrassom abdominal: exame que utiliza ondas sonoras que se refletem nos órgãos da barriga (abdome) e retornam como ecos. Esses ecos são captados por um aparelho que os transforma em imagens
  • exames endoscópicos: um tubo com uma câmera na ponta é inserido pela boca do(a) paciente até chegar ao intestino delgado. Permite visualizar os canais que carregam o fluido produzido pelo fígado (ductos biliares)
  • biópsia: coleta de uma amostra do tecido suspeito para análise em laboratório, a fim de determinar se há presença de células cancerígenas

Outros exames podem ser solicitados para determinar se o câncer está localizado em seu ponto de origem ou se chegou a outras regiões do corpo (metástase).

Tratamento

O tratamento do câncer de vias biliares varia a depender da localização, do quanto a doença avançou (estágio) e da saúde geral do(a) paciente. As principais estratégias incluem:

  • cirurgia: em casos mais simples, pode ser feita a remoção da massa (tumor) e de parte do canal onde o câncer se forma (ducto biliar). Já em casos mais avançados, também pode ser necessário remover parte do fígado, as estruturas que fazem parte do sistema de defesa do corpo (linfonodos) e outros tecidos próximos 
  • quimioterapia: medicamentos que destroem as células cancerígenas. Esse tratamento pode ser realizado antes da cirurgia, para diminuir o tamanho da massa (tumor), ou após, para eliminar as células restantes
  • imunoterapia: pode ser associada a quimioterapia no tratamento de doença metastática, com objetivo de aumentar a eficácia. 
  • radioterapia: aplicação de feixes de energia de alta potência (radiação) para destruir as células cancerígenas. Assim como a quimioterapia, pode ser usada antes ou depois da cirurgia
  • terapia-alvo: medicamentos que atuam de forma direcionada e bloqueiam anormalidades específicas que permitem que as células cancerígenas cresçam descontroladamente
  • transplante de fígado: em alguns casos, pode ser indicada a remoção do fígado e a substituição por outro de uma pessoa doadora

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Prevenção

Não há um método totalmente eficaz para prevenir o câncer de vias biliares. Porém, reduzir os fatores de risco pode ajudar. Algumas recomendações são:

  • manter um peso saudável: para isso, deve-se ter uma alimentação balanceada, com frutas (como maçã e banana), legumes (como cenoura e brócolis) e proteínas (como franjo, peixe e ovos), além de praticar atividades físicas regularmente (de 150 a 300 minutos por semana), como caminhada, ciclismo e musculação 
  • limitar o consumo de álcool: o consumo excessivo de álcool está relacionado a condições que favorecem o desenvolvimento de câncer vias biliares, como a cirrose hepática 
  • não fumar: o consumo de produtos feitos com tabaco (tabagismo), como o cigarro, é um fator de risco para diversos tipos de câncer 
  • proteger-se contra a hepatite B e a hepatite C: essas infecções são transmitidas principalmente pelo contato com sangue contaminado. Por isso, é importante não compartilhar objetos que possam furar ou cortar a pele, como seringas, agulhas e lâminas. Também existe vacina para prevenir a hepatite B
  • acompanhamento médico: realizar consultas regulares e exames de monitoramento com um(a) profissional de saúde especialista no cuidado dos órgãos envolvidos na digestão (gastroenterologista) para identificar anormalidades logo no início

     

Referências

Cleveland Clinic 
NHS - UK