O ácido azelaico é um medicamento dermatológico de uso tópico, indicado para o tratamento da acne inflamatória leve a moderada e da rosácea, especialmente nas formas que cursam com pápulas e pústulas — pequenas elevações avermelhadas na pele, com ou sem presença de pus. Pertencente à classe dos ácidos dicarboxílicos, atua diretamente nos mecanismos biológicos que sustentam essas doenças inflamatórias cutâneas.
Na acne, o fármaco exerce ação antimicrobiana ao reduzir a proliferação de bactérias associadas à inflamação dos folículos pilossebáceos, além de modular a queratinização. Ao diminuir a produção excessiva de queratina (proteína que pode obstruir os poros), contribui para prevenir a formação de cravos e espinhas, além de reduzir lesões já estabelecidas.
Nos casos de rosácea, sua principal ação é anti-inflamatória. O ácido ajuda a atenuar o inchaço, as pápulas e as pústulas características da doença, embora não seja igualmente eficaz para tratar a vermelhidão persistente isolada.
Como usar o ácido azelaico
Classificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como medicamento de venda livre, pode ser comercializado sem a necessidade de receita médica. Ainda assim, a automedicação não é recomendada, pois pode reduzir a eficácia do tratamento e aumentar o risco de efeitos adversos.
Por isso, o ácido azelaico deve ser utilizado conforme orientação médica. Antes da aplicação, recomenda-se lavar a pele com sabonete suave ou loção de limpeza sem sabão e secar delicadamente com toalha macia. Em seguida, deve-se aplicar uma fina camada do produto, massageando até completa absorção. No caso da espuma, é necessário agitar o frasco antes do uso.
A formulação em creme a 20% é mais frequentemente indicada para acne inflamatória. Já as apresentações em gel ou espuma a 15% são amplamente utilizadas na rosácea papulopustulosa.
Efeitos colaterais
Os efeitos adversos mais comuns são locais e tendem a ser leves, sobretudo no início do tratamento. Entre eles estão:
- Ardor;
- Sensação de queimação;
- Formigamento;
- Coceira;
- Ressecamento;
- Descamação;
- Sensibilidade na área tratada.
Na maioria das vezes, esses sintomas diminuem à medida que a pele se adapta ao medicamento. No entanto, mais raramente, podem ocorrer reações mais intensas, como:
- Vermelhidão acentuada;
- Irritação importante;
- Descamação excessiva;
- Alterações na coloração da pele;
- Inchaço de face, lábios ou garganta;
- Dificuldade respiratória e urticária.
Essas situações exigem interrupção imediata do uso e avaliação médica. Se necessário, deve-se acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo número 192.
Contraindicações
O ácido azelaico é contraindicado para pessoas com hipersensibilidade conhecida ao princípio ativo ou a quaisquer componentes da fórmula. Também não deve ser aplicado sobre pele lesionada, com queimaduras solares, fissuras ou irritações.
Pacientes com histórico de asma devem informar o médico antes de iniciar o tratamento, pois há relatos isolados de piora de sintomas respiratórios. Gestantes e lactantes devem utilizar o medicamento apenas sob avaliação criteriosa.
Em casos de rosácea, é aconselhável evitar fatores que desencadeiam rubor facial, como bebidas alcoólicas, alimentos apimentados e líquidos excessivamente quentes, pois esses estímulos podem comprometer o controle da doença.
Revisão técnica: João Roberto Resende Fernandes (CRM-SP 203006/RQE 91325), especialista em Clínica Médica e médico do pronto-atendimento e corpo clínico do Einstein Hospital Israelita.




