Existem diferentes tipos de câncer que podem afetar os ossos e eles podem ser divididos em dois grupos: os tumores primários são aqueles que surgem diretamente no osso; e os secundários, ou metastáticos, ocorrem quando outro tipo de câncer (como de mama, próstata ou pulmão) se espalha e passa a afetar o osso.
Quando se fala em “câncer ósseo”, de forma geral, refere-se a tumores primários. Eles são considerados raros — representam menos de 1% de todos os casos diagnosticados de câncer.
A seguir, saiba mais sobre os principais tipos de tumores primários:
- Osteossarcoma: é o mais frequente e costuma aparecer em crianças, adolescentes e jovens adultos, com pico de ocorrência entre 10 e 20 anos, fase de maior crescimento ósseo. É mais comum em ossos longos, especialmente nas regiões próximas ao joelho, como o fêmur e a tíbia.
- Sarcoma de Ewing: outro tipo relevante de tumor ósseo que também acomete, principalmente, crianças e adolescentes. É mais comum que se desenvolva nos ossos da pelve, das pernas e dos braços.
- Condrossarcoma: tipo mais comum de tumor primário que afeta os ossos em adultos mais velhos. A doença se origina nas células da cartilagem e costuma afetar o quadril, a pelve ou o ombro.
- Cordoma: tumor mais raro que geralmente afeta a coluna.
Sinais de alerta
Os sintomas do câncer nos ossos variam conforme o tipo e a localização, mas há sinais que merecem atenção:
- Dor óssea persistente: é o sintoma mais comum, e tende a piorar à noite ou durante o repouso.
- Inchaço: pode surgir em alguns casos.
- Limitação de movimento ou dificuldade para apoiar o membro comprometido: pode ocorrer dependendo da localização do tumor.
- Fraturas: quando o tumor enfraquece o osso, há a possibilidade de sofrer fraturas a partir de traumas leves, chamadas de “fraturas patológicas”.
Como esses sinais e sintomas podem ser confundidos com lesões comuns, é importante procurar avaliação médica em caso de dores persistentes.
Fatores de risco
As causas diretas do câncer ósseo ainda não são completamente conhecidas. Vale lembrar, inclusive, que a maioria desses tumores surge em pacientes sem fatores de risco conhecidos.
Ainda assim, algumas condições aumentam significativamente o risco de desenvolver a doença, como a presença de síndromes genéticas raras, entre elas a síndrome de Li-Fraumeni e o retinoblastoma hereditário.
A exposição prévia à radioterapia utilizada no tratamento de outros tipos de câncer e a doença de Paget, condição que altera a estrutura dos ossos, também elevam a probabilidade desse tipo de neoplasia.
Como detectar a doença
O diagnóstico de um câncer ósseo sempre começa com uma avaliação clínica e um exame físico cuidadoso. É de extrema importância que pacientes com essa suspeita sejam avaliados por uma equipe especializada no tratamento desses tumores.
O raio-x simples é geralmente o primeiro exame a ser feito e, muitas vezes, já mostra alterações sugestivas de um tumor, como áreas de destruição óssea ou imagens com aspecto irregular. No entanto, não é suficiente para confirmar o diagnóstico. Exames complementares, como tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET-CT (que combina dois tipos de tomografia), ajudam a definir a extensão da lesão e avaliar se há metástase.
O diagnóstico de certeza, em geral, envolve a realização de uma biópsia, que permite identificar o tipo exato de tumor e seu grau de agressividade, ou seja, a velocidade com que cresce e se espalha.
Como tratar
O tratamento do câncer ósseo depende do tipo e do estágio da doença. No osteossarcoma e no sarcoma de Ewing, a abordagem terapêutica geralmente combina quimioterapia com cirurgia, sendo que a radioterapia também pode ser associada em alguns casos.
A quimioterapia tende a ser feita antes da cirurgia, para reduzir o tamanho do tumor, e a continuar por mais ciclos depois do procedimento cirúrgico, para eliminar possíveis células residuais.
O condrossarcoma, por outro lado, é menos sensível à quimio e à radioterapia na maior parte dos casos. Por isso, a cirurgia é a principal forma de tratamento. A boa notícia é que, nos últimos anos, houve avanços na cirurgia oncológica ortopédica, o que permite, em muitos casos, preservar o membro afetado sem a necessidade de amputação. Também há pesquisas em andamento com imunoterapia e terapias-alvo, que vêm mostrando resultados promissores em alguns subtipos.
Dá para prevenir?
Infelizmente, não existe uma forma comprovada de prevenir o câncer ósseo. Como a maioria dos casos não está ligada a fatores de risco que sejam modificáveis, o foco deve ser no diagnóstico preciso quando os sintomas surgem e no acompanhamento preventivo específico de pessoas com risco aumentado, como quem tem síndromes genéticas ou já fez radioterapia.
Revisão técnica: Roberto Pestana, oncologista do Einstein Hospital Israelita (CRM 170.446 | RQE 97248)




