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Lecanemabe: o que é e como age o novo medicamento contra o Alzheimer

Atualizado em 16/02/2026
Tempo de leitura: 2 minutos

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Um médico especialista em neurologia com um exame de imagem para diagnóstico de Alzheimer

Pertencente à classe dos anticorpos monoclonais, o lecanemabe atua diretamente sobre um dos principais mecanismos associados à doença de Alzheimer: o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro, que interfere na comunicação entre os neurônios. Ao ligar-se às formas agregadas dessa substância, o medicamento contribui para reduzir sua deposição cerebral.

Embora não represente uma cura para a demência, o ensaio clínico de fase 3 Clarity AD, também conhecido como Estudo 301, demonstrou a eficácia clínica do fármaco em desacelerar a progressão da doença em pacientes tratados com lecanemabe por um período de 18 meses. O estudo acompanhou 1.795 pessoas diagnosticadas com Alzheimer, provenientes de diferentes regiões do mundo.

No final de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro do medicamento no Brasil. O princípio ativo já havia sido aprovado para uso nos Estados Unidos em 2023 e na União Europeia em 2024.

Como usar o lecanemabe

O fármaco será comercializado no país sob o nome Leqembi. Sua indicação é voltada a pacientes adultos com comprometimento cognitivo leve ou em estágio inicial da doença de Alzheimer, desde que haja confirmação da presença de patologia amiloide.

De acordo com a bula aprovada pela Anvisa, o medicamento deve ser administrado por infusão intravenosa, em ambiente de saúde adequado. A dose recomendada é de 10 mg por quilo de peso corporal, diluída e infundida ao longo de aproximadamente uma hora, a cada duas semanas.

O tratamento requer acompanhamento médico contínuo, além da realização de exames de ressonância magnética antes do início da terapia e durante seu curso. Essas medidas visam identificar precocemente possíveis alterações cerebrais associadas ao uso do medicamento.

Efeitos colaterais

Os efeitos adversos mais frequentes do lecanemabe incluem reações relacionadas à infusão intravenosa. Entre elas, destacam-se febre, calafrios, dor generalizada, sensação de tremor, dor articular, náusea, vômitos, alterações da pressão arterial (hipotensão ou hipertensão) e dessaturação de oxigênio.

Também podem ocorrer as chamadas Anormalidades de Imagem Relacionadas ao Amiloide (ARIA), que se manifestam como edema cerebral (ARIA-E) ou pequenos sangramentos intracerebrais (ARIA-H). Embora muitas vezes assintomáticas, essas alterações podem causar confusão mental, tontura, alterações visuais, náusea, dificuldade para caminhar e, em casos raros, convulsões.

Contraindicações

O lecanemabe é contraindicado em pacientes que apresentem, na ressonância magnética anterior ao tratamento, sinais de hemorragia intracerebral prévia, múltiplas micro-hemorragias, siderose superficial, edema vasogênico ou achados compatíveis com angiopatia amiloide cerebral.

O medicamento também não deve ser utilizado por indivíduos com hipersensibilidade ao princípio ativo ou a qualquer componente de sua formulação. Além disso, seu uso é desaconselhado em pacientes que fazem uso contínuo de anticoagulantes, devido ao risco aumentado de sangramentos cerebrais.

Indivíduos homozigotos para o alelo ε4 da apolipoproteína E (ApoE ε4) não devem utilizar o lecanemabe, uma vez que esse perfil genético está associado a maior carga de depósitos de beta-amiloide e maior fragilidade dos vasos cerebrais, elevando significativamente o risco de ARIA.

Por outro lado, pacientes heterozigotos ou não portadores do alelo ApoE ε4 podem ser elegíveis ao tratamento, desde que submetidos à testagem genética prévia e a monitoramento rigoroso por meio de exames de imagem.

Revisão técnica: João Roberto Resende Fernandes (CRM-SP 203006/RQE 91325), especialista em Clínica Médica e médico do pronto-atendimento e corpo clínico do Einstein Hospital Israelita.

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