O alerta deve surgir quando esses episódios deixam de ser pontuais e começam a afetar a autonomia da pessoa. Se tarefas simples — como administrar contas, cozinhar, cumprir horários ou manter a organização da rotina — são prejudicadas, é recomendável buscar avaliação médica.
Cérebro envelhece, mas continua aprendendo
A chegada aos 50 anos não altera a capacidade do cérebro de armazenar informações. O que acontece é que, com o envelhecimento, as pessoas tendem a apresentar uma diminuição na velocidade do processamento cerebral.
Em termos simples, isso significa que o cérebro continua capaz de aprender e memorizar, mas pode levar mais tempo para registrar ou recuperar determinadas informações. Por isso, é comum que uma pessoa mais velha demore para lembrar o nome de um livro, uma palavra específica ou um compromisso, recuperando a informação pouco tempo depois.
Outro fator importante nessa discussão é a atenção. Para uma informação ser armazenada corretamente, o cérebro precisa, primeiro, prestar atenção nela. Portanto, excesso de tarefas, ansiedade ou estresse podem prejudicar esse processo e provocar esquecimentos que nada têm a ver com doenças neurodegenerativas.
Menopausa e névoa mental
Muitas mulheres relatam dificuldades cognitivas durante a menopausa. A chamada névoa mental, também conhecida pelo termo em inglês brain fog, pode provocar sensação de lentidão para pensar, dificuldade de concentração e lapsos de memória.
Essas alterações estão relacionadas às mudanças hormonais características dessa fase. Os hormônios femininos, especialmente o estrogênio, exercem funções importantes no cérebro, participando da comunicação entre os neurônios, da capacidade de aprendizado e da consolidação das memórias.
Com a redução dos níveis hormonais, algumas funções cognitivas podem ser temporariamente afetadas. A atenção costuma ser uma das primeiras áreas impactadas, o que explica por que muitas mulheres relatam esquecer palavras, compromissos ou informações recentes.
A menopausa, porém, não é a única responsável pelas mudanças observadas após os 50 anos. Trata-se de um período marcado por múltiplas transições pessoais e familiares, como filhos tornando-se independentes, maior responsabilidade no cuidado dos pais idosos, mudanças profissionais e reflexões sobre o próprio envelhecimento.
Proteção da mente
A boa notícia é que diversos hábitos ajudam a preservar a saúde cerebral. O cérebro precisa ser constantemente desafiado. Aprender um idioma, tocar um instrumento musical, fazer palavras cruzadas, jogar xadrez, realizar cursos ou simplesmente modificar pequenos hábitos cotidianos contribuem para estimular as conexões neurais.
Adotar uma alimentação equilibrada também contribui para a preservação da função cognitiva. É importante que a dieta seja rica em frutas, verduras, legumes, azeite de oliva e alimentos minimamente processados. Controlar condições crônicas, como hipertensão, diabetes e colesterol elevado, é outra medida que resguarda a saúde do cérebro.
Por fim, a manutenção dos vínculos sociais exerce um papel importante na preservação da saúde mental e cognitiva. Pessoas que cultivam amizades, participam de grupos sociais e mantêm relações afetivas saudáveis tendem a apresentar melhor desempenho cognitivo ao longo do envelhecimento. Conversar, compartilhar experiências e sentir-se pertencente a uma comunidade ajuda a reduzir o estresse, fortalecer a autoestima e ampliar o bem-estar emocional.
Revisão técnica: Ivan Hideyo Okamoto, neurologista do Einstein Hospital Israelita (CRM-SP 62356)