Daí a importância de cuidar da saúde cardiovascular nessa etapa da vida. A seguir, confira quatro boas práticas para se adotar.
1. Cuide do peso e do colesterol
Durante o climatério, a forma como o corpo feminino distribui a gordura corporal muda — se antes ela se concentrava mais em quadris e coxas, na menopausa passa a se acumular com maior facilidade na região abdominal. Esse tipo de gordura, chamado de visceral, fica ao redor dos órgãos internos e está associado a um maior risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças cardiovasculares.
Tudo isso é potencializado pelo maior risco de desequilíbrio nas taxas de colesterol. Essas moléculas funcionam como um sistema de transporte de gordura. Quando há excesso da fração conhecida como colesterol ruim (LDL), a gordura pode se depositar nas paredes das artérias, formando placas que dificultam a circulação sanguínea. Com o passar dos anos, esse processo favorece o surgimento de complicações cardiovasculares graves.
Além disso, o ganho de peso pode levar ao acúmulo de gordura no fígado, condição conhecida como esteatose hepática. Embora muitas vezes não provoque sintomas, ela merece acompanhamento, pois pode evoluir para inflamações e danos permanentes ao órgão.
2. Fuja de soluções “milagrosas” para emagrecer
Na tentativa de controlar o peso, muitas pessoas tendem a recorrer a estratégias que prometem resultados rápidos. No entanto, o emagrecimento acelerado pode trazer consequências indesejadas, especialmente para mulheres na pós-menopausa.
Isso porque a perda de peso nem sempre ocorre apenas às custas da gordura corporal. Em muitos casos, há redução da massa muscular e da massa óssea, aumentando o risco de fraqueza, quedas e fraturas.
Medicamentos para o tratamento da obesidade podem ser aliados importantes quando bem indicados. Porém, eles não substituem as mudanças de hábitos: alimentação equilibrada, sono adequado, acompanhamento profissional e atividade física continuam sendo a base para a manutenção da saúde cardiovascular e metabólica.
Outro ponto que merece atenção é a busca por soluções hormonais com fins estéticos. Utilizar testosterona para ganhar massa muscular ou emagrecer, por exemplo, pode elevar a pressão arterial, alterar os níveis de colesterol e aumentar o risco de problemas cardíacos.
Vale ressaltar que o uso de hormônios por meio de implantes (ou “chips”) hormonais com finalidade de estética ou de performance é proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e não tem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
3. Pratique exercícios físicos regularmente
Entre todas as medidas capazes de proteger a saúde cardiovascular após os 50 anos, poucas são tão eficazes quanto a prática regular de exercícios. As atividades aeróbicas, como caminhada, bicicleta, natação e dança, ajudam a fortalecer o coração, melhorar a circulação e controlar fatores de risco como pressão alta e diabetes.
A musculação também tem papel fundamental. Além de preservar a massa muscular, ela contribui para a saúde dos ossos e a manutenção da autonomia nas tarefas do dia a dia. A recomendação é acumular cerca de 150 minutos semanais de atividade física moderada por semana, o que inclui exercícios de resistência e os de cárdio.
Para aquelas que estão sedentárias, a orientação é começar aos poucos. Criar o hábito é mais importante do que buscar desempenho imediato. Pequenos avanços consistentes costumam gerar benefícios mais duradouros do que mudanças radicais que não conseguem ser mantidas ao longo do tempo.
4. Zele pelo sono e pela saúde emocional
Cuidar do coração não significa apenas controlar exames e manter uma rotina de exercícios. A qualidade do sono e o equilíbrio emocional também exercem forte influência sobre a saúde cardiovascular.
Dormir mal favorece alterações hormonais, dificulta o controle do peso e pode contribuir para o aumento da pressão arterial. Como a menopausa frequentemente interfere no descanso noturno, adotar hábitos que favoreçam um sono reparador torna-se uma medida importante de prevenção.
Isso também vale para a saúde mental. Ansiedade, estresse e sobrecarga emocional afetam diretamente o funcionamento do organismo. Em algumas situações, episódios intensos de estresse podem até desencadear a chamada síndrome do coração partido, uma condição temporária que provoca sintomas semelhantes aos de um infarto do miocárdio, como dor no peito e falta de ar.
Revisão técnica: Marcelo Franken, gerente médico de Cardiologia do Einstein Hospital Israelita (CRM-SP 100733)