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Vitamina B1: quais suas funções no organismo e onde encontrá-la

Atualizado em 16/02/2026
Tempo de leitura: 5 minutos

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Uma prato com legumes, verduras, arroz e carne de porco para uma das refeições diárias

A tiamina, mais conhecida como vitamina B1, é uma vitamina solúvel em água pertencente ao grupo chamado de complexo B. Ela foi isolada e classificada como “vitamina” durante a segunda década do século 20.

Esse nutriente exerce papéis importantes no organismo: é um cofator de enzimas envolvidas no metabolismo de açúcares e proteínas, ajudando-as a funcionar adequadamente na produção de energia. Tem função primordial na transmissão de impulsos elétricos no cérebro e nos nervos.

No sistema cardiovascular, ajuda na contração muscular, incluindo o músculo cardíaco, mantendo uma frequência cardíaca saudável. Ainda atua como antioxidante, combatendo o envelhecimento e mantendo a saúde de pele, cabelos e unhas.

Como o corpo não produz a vitamina B1, é fundamental obtê-la por meio da alimentação.

Onde ela é encontrada?

Está em concentrações mais elevadas em cereais, como na farinha de trigo integral, no farelo de arroz e no arroz integral; em vegetais, como ervilhas, leguminosas e batatas; em carnes de bovinos, suínos, cordeiro e aves, além do leite de vaca.

Fontes de origem animal:

  • Carne de porco: é uma das melhores fontes de tiamina, com uma concentração significativamente maior do que outras carnes, como a de boi e de frango.
  • Fígado e outros órgãos: também são ricos em vitamina B1.
  • Peixes: salmão, atum e truta são boas opções.
  • Ovos.

Fontes de origem vegetal:

  • Cereais integrais: arroz integral, aveia e milho fornecem boas quantidades de tiamina. O arroz branco e outros cereais refinados perdem grande parte da vitamina B1 durante o processamento.
  • Leguminosas: soja, lentilha, ervilha e feijão são excelentes fontes.
  • Nozes e sementes: incluem castanha-do-pará, sementes de girassol, noz-pecã, avelãs e amêndoas.
  • Levedura de cerveja: é uma das fontes mais ricas e concentradas de vitamina B1.

Como consumir

É importante lembrar que a vitamina B1 é sensível ao calor e, durante o cozimento prolongado de alimentos, pode haver redução do seu teor. Além disso, como é uma vitamina solúvel, pode ser perdida na água usada para cozinhar. Leguminosas e grãos, carne de porco, aspargos, couve e cogumelos são alguns exemplos de alimentos que perdem tiamina ao serem cozidos.

A forma como os alimentos são processados também afeta a quantidade de tiamina. Além disso, alguns alimentos possuem uma enzima chamada tiaminase, que quebra a tiamina, inativando-a e reduzindo o valor nutricional dos alimentos. Esse processo pode ocorrer durante o armazenamento, transporte ou manuseio, especialmente em alimentos crus. A ingestão de alimentos com tiaminase pode levar à deficiência da vitamina B1.

Após ser ingerida, a tiamina é absorvida no intestino delgado e se distribui pelo organismo todo, concentrando-se mais no fígado, nos rins, no cérebro, no coração e nos músculos esqueléticos. Mas o corpo exclui o que não é usado pela urina, de modo que o consumo deve ocorrer regularmente pela alimentação.

A deficiência de tiamina ocorre por baixa ingestão, falta de absorção, transporte defeituoso, aumento das necessidades e perdas aumentadas. Mulheres grávidas acometidas de vômitos intensos, como ocorre na hiperêmese gravídica, podem ter falta de tiamina, assim como pessoas que recebem nutrição parenteral sem suplementação vitamínica.

O risco de deficiência é alto em dependentes de álcool, pessoas com HIV/Aids, doenças gastrointestinais com problemas de absorção e doenças do fígado. Nos alcoólatras crônicos, a falta de tiamina pode causar uma doença neurológica severa chamada Encefalopatia de Wernicke-Korsakoff (EWK). Os pacientes apresentam neuropatia periférica, alterações nos movimentos dos olhos (oftalmoplegia ou paralisia ocular) e da marcha (ataxia ou desequilíbrio e incoordenação), além de confusão mental.

A falta de tiamina também causa a doença beribéri, dividida em três tipos:

  1.  Beribéri seco: caracterizado por alterações nos nervos periféricos (chamada neuropatia periférica), comprometendo a sensibilidade e a força muscular;
  2. Beribéri úmido: além da neuropatia periférica, apresenta disfunção cardíaca, com inchaço (edema) nos membros inferiores, edema pulmonar com falta de ar e dificuldade de andar, com aceleração do ritmo cardíaco. Casos graves e de desenvolvimento rápido podem acabar em colapso circulatório e choque;
  3. Beribéri infantil: atinge lactentes amamentados por mães com deficiência de tiamina, muitas vezes assintomáticas. Em geral, ocorre em populações pobres com dificuldades alimentares. Nesse quadro, bebês entre 2 e 6 meses de vida apresentam insuficiência cardíaca, afonia, com choro fraco e agudo, vômitos e podem ter um quadro clínico similar à meningite.

Quando suplementar?

A suplementação de vitamina B1 deve ser considerada em casos de risco e deficiência confirmada, devido a condições médicas específicas ou dietas inadequadas, e sempre sob orientação profissional.

Para a maioria das pessoas, uma alimentação equilibrada é suficiente para suprir a necessidade diária. A suplementação de tiamina é recomendada para grupos de risco e pacientes com deficiência documentada, incluindo:

  • Alcoólatras crônicos: o consumo excessivo de álcool interfere na absorção e aumenta a excreção da vitamina B1.
  • Pessoas com síndromes de má absorção: doenças gastrointestinais, como a doença de Crohn, ou cirurgias bariátricas podem comprometer a absorção de nutrientes.
  • Gestantes e lactantes: nesses casos, a necessidade de tiamina pode ser maior.
  • Pacientes com doenças crônicas: pessoas com HIV/Aids, diabetes, doenças renais (em hemodiálise) ou em tratamento com diuréticos.
  • Pessoas em estado de desnutrição: pacientes com desnutrição severa ou que seguem dietas desequilibradas.
  • Beribéri e síndrome de Wernicke-Korsakoff: a suplementação é essencial para tratar essas condições causadas pela deficiência grave de tiamina.

O mito da prevenção à dengue

Há uma crença muito popular de que a tiamina pode prevenir a dengue, mas é um mito e não tem comprovação científica. A ideia se baseia na teoria de que a ingestão de tiamina ou complexo B em comprimidos poderia alterar o odor do suor, tornando-o desagradável para mosquitos como o Aedes aegypti, o transmissor da dengue.

No entanto, especialistas em saúde pública e entomologia já desmentiram essa informação diversas vezes, pois o mosquito não é afetado pelo cheiro que a vitamina supostamente produz. Na década de 1940, um pediatra nos EUA chamado W. Ray Shannon administrou tiamina a pacientes e relatou redução na coceira e nas picadas de mosquito. Poucos anos depois, outro médico sugeriu que doses de tiamina poderiam repelir pulgas.

Nos anos 1950, um médico europeu afirmou que tomar 200 mg/dia o mantinha livre de picadas durante férias na Finlândia, levantando a hipótese de que um produto da degradação da tiamina seria excretado pela pele e alteraria o odor corporal. Essas observações atraíram atenção, mas não foram confirmadas por estudos controlados.

Porém, a ideia persiste na cultura popular e redes sociais. A crença se espalhou como alternativa “natural” aos repelentes químicos. Já se sabe que não existem repelentes orais eficazes — nem tiamina, nem alho, nem levedura de cerveja. A prevenção deve ser feita exclusivamente com repelentes tópicos aprovados, como DEET e icaridina, além de medidas ambientais, com uso de telas e roupas longas.

Revisão técnica: Décio Diament, médico da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional do Einstein Hospital Israelita (CRM 39049)

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