O celecoxibe é um medicamento pertencente à classe dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), mais especificamente um inibidor seletivo da enzima ciclo-oxigenase-2 (COX-2). Sua ação no organismo consiste em bloquear a produção de substâncias inflamatórias, em especial as prostaglandinas, responsáveis pela sensação de dor, inchaço e rigidez articular.
Por conta desse mecanismo, costuma ser indicado no tratamento de doenças articulares crônicas e condições dolorosas agudas, como:
- Osteoartrite (desgaste progressivo da cartilagem das articulações, causando dor e rigidez);
- Artrite reumatoide (doença autoimune que provoca inflamação crônica das articulações);
- Espondilite anquilosante (inflamação crônica que afeta principalmente a coluna vertebral, podendo levar à rigidez);
- Dor pós-operatória (dor aguda decorrente de procedimentos cirúrgicos);
- Dismenorreia primária (cólicas menstruais dolorosas sem causa orgânica identificável);
- Lombalgia (dor localizada na região da lombar).
Como usar o celecoxibe
Do ponto de vista regulatório, no Brasil, o celecoxibe está classificado na lista C1 da Portaria nº 344/1998, do Ministério da Saúde. Isso implica regras específicas para sua comercialização, como a obrigatoriedade de apresentação e retenção de uma via da receita médica pela farmácia. Essa prescrição, inclusive, precisa estar dentro da validade de 30 dias desde sua emissão e contemplar uma quantidade suficiente do produto para, no máximo, 60 dias de tratamento.
Essa medida tem como objetivo manter maior controle sobre a circulação do medicamento. Se utilizado fora das orientações profissionais, ele pode não ter a mesma eficácia terapêutica e aumentar a probabilidade de efeitos colaterais graves.
O medicamento costuma ser administrado por via oral, na forma de cápsulas, com posologia que varia conforme a condição clínica tratada e o perfil do paciente. Em adultos, ele pode ser utilizado em dose única diária ou dividido em duas administrações ao dia, conforme a orientação médica.
Efeitos colaterais
Entre os efeitos colaterais mais comuns estão:
- Sintomas gastrointestinais leves (como distensão abdominal, gases e constipação);
- Tontura;
- Dor de garganta;
- Alterações no paladar.
Mais raramente, podem surgir:
- Retenção de líquidos;
- Inchaço em membros inferiores;
- Agravamento de insuficiência cardíaca;
- Úlcera;
- Sangramentos e perfurações no trato digestivo;
- Erupções cutâneas;
- Urticária;
- Anafilaxia;
- Alterações hepáticas e renais;
- Distúrbios hematológicos.
Nesses casos, a recomendação é buscar orientação médica. Se necessário, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado pelo número 192.
Contraindicações
O uso de celecoxibe é contraindicado em pacientes com hipersensibilidade ao próprio fármaco, a sulfonamidas ou a outros AINEs, como ibuprofeno, cetoprofeno e naproxeno. Ele tampouco deve ser utilizado por pessoas com histórico de asma associada ao uso de AINEs, úlcera gastrintestinal ativa ou sangramento digestivo.
Gestantes, especialmente a partir da 20ª semana, devem evitar o uso, pois há risco de complicações fetais, incluindo problemas renais e cardíacos no feto. O uso durante a amamentação requer avaliação criteriosa. Pacientes com insuficiência hepática, renal ou cardíaca também demandam cautela ou restrição.
Revisão técnica: Alexandre R. Marra, pesquisador do Einstein Hospital Israelita e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde do Ensino Einstein.



