Durante a gestação, muitas mulheres percebem um corrimento mais abundante, branco ou transparente, sem cheiro forte e, às vezes, um pouco mais espesso. Essa secreção é chamada de leucorreia fisiológica e não deve ser motivo de preocupação.
Ele acontece porque o organismo aumenta a produção de hormônios e a circulação de sangue na região íntima, criando uma espécie de “barreira natural de proteção” contra infecções. Ou seja, esse corrimento faz parte do funcionamento do corpo durante a gravidez.
No entanto, é importante ter atenção a mudanças no aspecto ou no cheiro do corrimento, bem como à presença de outros sintomas. A gestante deve procurar atendimento médico se perceber:
- coceira;
- ardência;
- vermelhidão na vulva;
- dor ao urinar;
- mau odor;
- mudança de cor (amarelado, esverdeado ou acinzentado);
- corrimento com aspecto grumoso;
- presença de sangue.
Qualquer alteração fora do padrão habitual deve ser avaliada pelo médico, já que algumas infecções podem trazer riscos durante a gravidez, inclusive aumentando o risco de parto prematuro.
Principais causas de corrimento anormal na gravidez
Nem todo corrimento diferente significa um problema grave, mas algumas infecções são mais frequentes durante a gestação. Conheça as principais:
1. Candidíase
A candidíase é uma das infecções mais comuns nessa fase. Ela ocorre quando há crescimento excessivo do fungo Candida, que tende a se proliferar mais facilmente por causa das alterações hormonais da gestação.
Entre os sintomas típicos estãocorrimento branco e espesso, coceira intensa e sensação de ardor. O tratamento é feito com antifúngicos tópicos (cremes vaginais).
2. Vaginose bacteriana
A vaginose bacteriana surge quando há um desequilíbrio da flora vaginal, especialmente pela redução dos lactobacilos, as bactérias “boas” que protegem a região.
Normalmente, a mulher nota um corrimento acinzentado e/ou um odor forte. A vaginose deve ser tratada porque pode aumentar o risco de parto prematuro e de ruptura prematura da bolsa.
O tratamento é feito com antibióticos, que podem ser usados por via oral ou vaginal, dependendo do caso.
3. Tricomoníase
A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Os sinais mais frequentes sãocorrimento amarelado ou esverdeado; odor desagradável; presença eventual de bolhas e possível desconforto ao urinar.
O tratamento é feito com antibiótico oral, sendo fundamental tratar também o parceiro para evitar a reinfecção.
4. Cervicites por clamídia ou gonorreia
Essas ISTs podem causar corrimento amarelado com muco, secreção purulenta, sangramento após a relação sexual e dor pélvica leve. O tratamento é feito com antibióticos específicos, definidos pelo médico segundo o tipo da infecção.
Como evitar corrimentos patológicos na gravidez
Algumas medidas simples podem reduzir bastante o risco de infecções vaginais durante a gestação.
1. Mantenha a higiene íntima adequada: use sabonetes neutros ou suaves e evite duchas internas, que removem a flora protetora.
2. Use roupas que deixem a pele respirar: dê preferência a calcinhas de algodão e evite tecidos que abafam a região íntima. Também é importante não permanecer longos períodos com peças molhadas, como biquíni ou roupa de academia.
3. Evite umidade excessiva na região íntima: é importante evitar o uso contínuo de absorventes diários. Mantenha a região seca e ventilada e opte por roupas leves para dormir.
4. Tenha um estilo de vida saudável: sono adequado, alimentação equilibrada e boa hidratação contribuem para o equilíbrio da flora vaginal e para um sistema imunológico mais forte. E, para mulheres que têm mais de um parceiro, vale lembrar que a camisinha também faz parte das medidas de prevenção de doenças.
5. Mantenha o pré-natal em dia: o pré-natal permite identificar alterações mesmo antes de surgirem sintomas.
6. Nunca se automedique: qualquer mudança no corrimento deve ser avaliada individualmente.
Revisão médica: Carolina Fernandes (CRM 176268) e Sergio Podgaec (CRM 72644), médicos ginecologistas do Einstein Hospital Israelita.




