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Flibanserina: conheça o remédio conhecido como “viagra feminino”

Atualizado em 03/02/2026
Tempo de leitura: 2 minutos

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Uma pessoa segurando um frasco de medicamento na mão esquerda e alguns comprimidos na mão direita, em preparação para tomá-los.

A flibanserina pertence ao grupo dos medicamentos moduladores do sistema serotoninérgico, que atuam alterando a concentração de neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina no cérebro. Essa modulação promove a reorganização de circuitos neurais relacionados ao desejo sexual, o que pode resultar no aumento da libido — motivo pelo qual o fármaco passou a ser popularmente apelidado de “viagra feminino”.

No entanto, a flibanserina difere de forma significativa do citrato de sildenafila, comercializado com o nome Viagra. Enquanto a flibanserina age no sistema nervoso central, a sildenafila atua predominantemente no sistema vascular periférico, promovendo o aumento do fluxo sanguíneo para os órgãos genitais e facilitando a resposta física à estimulação sexual.

Na prática, isso significa que o efeito da flibanserina não é imediato nem mecânico. O fármaco busca influenciar, de forma gradual, os processos cerebrais envolvidos no desejo sexual, sem provocar, necessariamente, excitação ou resposta sexual automática após a ingestão.

Sua principal indicação clínica é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH), uma condição caracterizada pela redução persistente da libido, associada a sofrimento emocional e impacto na qualidade de vida. O quadro pode envolver tanto diminuição da excitação subjetiva quanto redução da resposta genital à estimulação sexual.

Situação regulatória no Brasil

A flibanserina não tem registro ou regulação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que impede sua indicação e comercialização no país. O medicamento, entretanto, é aprovado em outros países, como os Estados Unidos, onde é comercializado sob o nome Addyi.

Aprovada em 2015 pela Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento de mulheres na pré-menopausa com TDSH, em dezembro de 2025 a FDA expandiu a indicação para incluir também mulheres na pós-menopausa com menos de 65 anos. Essa ampliação foi baseada em estudos clínicos que demonstraram melhora modesta no desejo sexual e no número de eventos sexuais satisfatórios.

Nos Estados Unidos, a dose recomendada é de 100 mg por via oral, administrada à noite. A orientação para o uso noturno está relacionada ao risco de sonolência e hipotensão, efeitos que podem ser agravados quando o medicamento é ingerido durante o dia.

Efeitos colaterais

A flibanserina pode causar efeitos adversos de intensidade variável. Entre os mais frequentes, destacam-se:

  • Tontura;
  • Sonolência;
  • Cansaço;
  • Náusea;
  • Boca seca;
  • Constipação;
  • Insônia.

Esses sintomas tendem a ser mais comuns no início do tratamento. Mais raramente, podem ocorrer reações graves, que exigem avaliação médica imediata:

  • Sonolência excessiva;
  • Sensação de desmaio;
  • Queda acentuada da pressão arterial;
  • Sinais de reação alérgica (urticária, dificuldade respiratória, inchaço de face, lábios ou garganta).

Contraindicações e cuidados

Nos locais em que seu uso é liberado, a flibanserina é contraindicada em pacientes com doença hepática, consumo recente de álcool, alergia ao princípio ativo ou a qualquer componente da fórmula. O medicamento também não deve ser utilizado durante a gravidez ou a amamentação, devido à ausência de dados conclusivos sobre sua segurança nessas situações.

Além disso, a flibanserina apresenta interações relevantes com diversos medicamentos, incluindo antibióticos, antifúngicos, antivirais, fármacos cardiovasculares, antidepressivos e fitoterápicos. Por essa razão, é fundamental que a paciente informe ao médico todos os medicamentos e suplementos em uso antes de iniciar o tratamento, permitindo uma avaliação adequada dos riscos e benefícios.

Revisão Técnica: João Roberto Resende Fernandes (CRM-SP 203006/RQE 91325), especialista em Clínica Médica e médico do pronto-atendimento e corpo clínico do Einstein Hospital Israelita.

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