O dispositivo intrauterino (DIU) não é considerado uma causa direta de candidíase de repetição, mas pode contribuir para o problema em algumas pessoas. Isso porque, em determinados casos, alterações hormonais locais ou mudanças no fluxo menstrual associadas ao método podem favorecer desequilíbrios na flora vaginal que criam um ambiente propício para o desenvolvimento da infecção fúngica.
Cada caso deve ser avaliado de forma individual, levando em conta outros fatores de saúde da paciente.
O que é candidíase de repetição
A candidíase de repetição é caracterizada pela ocorrência de episódios recorrentes de candidíase vaginal, geralmente três ou mais crises sintomáticas ao longo de 12 meses. O que diferencia esse quadro de uma candidíase aguda é justamente a frequência das recidivas e o maior impacto da infecção na qualidade de vida da pessoa.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Coceira intensa na região genital;
- Ardor;
- Vermelhidão;
- Irritação local;
- Corrimento branco mais espesso;
- Desconforto ao urinar ou durante a relação sexual.
Por que a infecção pode se tornar recorrente
A candidíase de repetição geralmente está associada a fatores que alteram o equilíbrio da flora vaginal ou interferem na resistência do organismo. Isso envolve, por exemplo, o uso frequente de antibióticos, histórico de diabetes e alterações hormonais. Esses episódios também podem surgir em períodos de maior vulnerabilidade, como em casos de anemia, infecções virais ou alterações da flora intestinal e vaginal.
No caso do DIU hormonal, mudanças locais associadas ao hormônio podem modificar o ambiente vaginal e seu pH. Tal fator favorece desequilíbrios da microbiota em pacientes que já têm predisposição para infecções recorrentes.
Por sua vez, o DIU de cobre pode provocar aumento do fluxo menstrual em algumas mulheres. Quando esse sangramento mais intenso leva ao desenvolvimento de anemia, isso pode reduzir a resistência do organismo e facilitar infecções.
Tratamento da candidíase recorrente
O tratamento da candidíase de repetição tende a ser individualizado. Nesses casos, a investigação é bem cuidadosa e até conta com um processo de identificação da espécie do fungo Candida sp. responsável pela infecção, já que isso pode influenciar na escolha do tratamento.
Em geral, o primeiro passo é controlar a fase aguda da infecção para aliviar os sintomas. Depois, muitas pacientes precisam passar por um esquema de manutenção por um período mais prolongado, com o objetivo de reduzir o risco de reincidências. Esse cuidado pode incluir medicamentos antifúngicos por via oral ou local, além de medidas complementares, com o consumo de probióticos e ajustes na alimentação e no estilo de vida.
Embora a candidíase vaginal raramente evolua para complicações sistêmicas graves em pessoas saudáveis, quando o tratamento não é feito de maneira adequada, a infecção pode persistir e se tornar mais frequente. A inflamação local prolongada pode provocar desconforto constante, prejudicar a vida sexual e atrasar o diagnóstico de outras condições ginecológicas que apresentam sintomas semelhantes, como diferentes tipos de vulvovaginites ou doenças dermatológicas da região genital.
Cuidados preventivos
A prevenção à candidíase de repetição começa pelo diagnóstico correto. Também é importante investigar e corrigir fatores predisponentes, como controle inadequado do diabetes, uso frequente de antibióticos quando evitável, alterações da flora vaginal, anemia e outras condições que possam reduzir a resistência imunológica.





