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Quais são e o que fazem os órgãos do sistema reprodutor feminino?

Atualizado em 13/04/2026
Tempo de leitura: 5 minutos

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Modelo 3D do sistema reprodutor feminino sendo utilizado em ambiente ambulatorial em consultas médicas.

O sistema reprodutor feminino é extremamente complexo e suas funções vão muito além da reprodução. Ele também participa da produção de hormônios e influencia o metabolismo todo, incluindo a saúde óssea, cardiovascular e diversos outros sistemas do organismo da mulher.

Ele é regulado por duas regiões do sistema nervoso central: o hipotálamo e a hipófise. Localizados na base do cérebro, atuam como “centro de comando”: o hipotálamo libera pulsos de GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina), que estimulam a hipófise a produzir FSH (hormônio folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante).

Esses dois hormônios atuam diretamente nos ovários, regulando o crescimento de folículos, a ovulação e a produção de hormônios femininos. Esse trabalho conjunto entre cérebro, ovários e útero é chamado de eixo hipotálamo-hipofisário-ovariano.

Principais órgãos do sistema reprodutor feminino

Ovários

São duas glândulas responsáveis pela produção dos hormônios sexuais femininos, principalmente o estrogênio e a progesterona (produzida após a ovulação), além de pequenas quantidades de testosterona – a maioria é secretada pela glândula suprarrenal, que não pertence diretamente ao sistema reprodutor.

Os ovários regulam todo o ciclo menstrual, que dura cerca de 28 dias, incluindo a produção e liberação dos óvulos para uma possível fecundação. Também exercem influência sobre a densidade mineral óssea, a função cognitiva (atenção, memória e aprendizado) e a distribuição de gordura corporal. Durante a fase reprodutiva, o estrogênio ajuda a evitar o acúmulo de gordura na região abdominal.

Tubas uterinas

Antigamente conhecidas como “trompas de Falópio”, são dois canais que ligam os ovários ao útero. É nessa região que ocorre a fecundação do óvulo pelo espermatozoide. O embrião formado é, então, transportado até o útero, onde se implantará na parede uterina. Alterações, como obstruções ou infecções nas tubas, podem causar dificuldades para engravidar.

Útero

Esse órgão, de formato semelhante ao de uma pera invertida, é responsável por abrigar e sustentar a gravidez. A cada ciclo, sob influência dos hormônios produzidos pelos ovários, o revestimento interno do útero (endométrio) se espessa, preparando-se para receber um possível embrião.

Quando não há fecundação, o endométrio se descama, originando o fluxo menstrual e iniciando um novo ciclo. Distúrbios hormonais, miomas uterinos, adenomiose e alterações no endométrio podem modificar o padrão de sangramento, aumentando o risco de anemia e afetando a fertilidade e a qualidade de vida.

O colo do útero (ou cérvix) conecta o útero ao canal vaginal e atua como uma barreira protetora. Além de filtrar micro-organismos, também realiza uma “seleção natural” dos espermatozoides, sendo que somente os mais aptos conseguem atravessar. É nessa região que ocorre a maior incidência de câncer do colo do útero, razão pela qual o exame preventivo (papanicolau) é colhido nesse local.

Vagina

É o canal de comunicação entre o meio interno do sistema reprodutor e o exterior. Nela se concentra a microbiota vaginal, um conjunto de bactérias que ajudam a proteger o corpo contra infecções. Alterações nesse equilíbrio podem causar odor, coceira, corrimento ou dor durante a relação sexual.

Vulva

Parte externa da genitália feminina, envolve as entradas para a vagina e a uretra, os pequenos lábios, os grandes lábios e o clitóris. Essas estruturas protegem o trato genital e participam da função sexual. Alterações dermatológicas nessa região podem indicar doenças inflamatórias ou até condições precursoras do câncer.

Entre a vagina e a vulva existem, ainda, glândulas que também merecem atenção, pois podem inflamar.

Cuidados ao longo da vida

A saúde reprodutiva vai além da fertilidade e envolve o equilíbrio hormonal e o bem-estar integral da mulher. Na puberdade, é importante avaliar o estímulo ovariano, o ritmo de desenvolvimento e o crescimento, influenciados pelos hormônios sexuais. A regularidade do ciclo, a intensidade do fluxo e a presença de cólicas devem ser observadas e acompanhadas.

Ao longo da vida reprodutiva, monitorar infecções e escolher métodos contraceptivos adequados são medidas essenciais, além do acompanhamento hormonal. Queixas como dor nas relações ou falta de libido também merecem atenção médica, pois impactam diretamente a qualidade de vida.

A menopausa marca a última menstruação, e o climatério é o período de transição que se inicia alguns anos antes. Essa fase é caracterizada por alterações metabólicas importantes, influenciando o colesterol, o risco de diabetes e a distribuição de gordura. A queda hormonal também afeta a libido, a massa óssea e muscular, e por isso o acompanhamento médico é fundamental.

Como cuidar da saúde reprodutiva?

Veja algumas medidas importantes:

Mantenha consultas e exames ginecológicos em dia: isso é fundamental mesmo na ausência de sintomas. A rotina inclui o papanicolau, o exame de HPV, as ultrassonografias pélvica e transvaginal (nas mulheres com vida sexual ativa), além de mamografia e ultrassom de mama.

Pratique sexo seguro: o uso de camisinha não só evita a gravidez indesejada, como é essencial para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), que podem comprometer a fertilidade.

Vacine-se contra o HPV: a imunização contra o papilomavírus humano (HPV) é uma forma eficaz de prevenir verrugas genitais e alguns tipos de câncer, como o de colo do útero.

Preste atenção no seu ciclo menstrual: alterações na regularidade, dores, intensidade ou duração do fluxo podem indicar desequilíbrios hormonais, risco de anemia, questões ligadas ao metabolismo ou ao próprio sistema reprodutor, como endometriose, adenomiose ou mioma, entre outras.

Tenha um estilo de vida saudável: fazer atividade física regularmente, ter uma alimentação equilibrada, controlar o peso corporal, além de evitar o consumo de álcool, drogas e o tabagismo, são medidas que também interferem na saúde reprodutiva.

Considere seus antecedentes familiares: se existem pessoas com diagnóstico de endometriose ou de menopausa antes dos 40 anos próximas a você, avise isso ao seu médico para que haja um olhar atento em relação a esses quadros.

Lembre-se do fator “tempo”: a fertilidade feminina diminui com a idade, e mulheres que desejam postergar a maternidade podem discutir com seu médico o congelamento de óvulos, uma forma segura de preservar a fertilidade.

Cuide da saúde emocional: o estresse crônico e os transtornos de ansiedade podem afetar o ciclo hormonal. Terapia, autocuidado e equilíbrio emocional são aliados da fertilidade e também interferem diretamente na vida sexual.

Sexualidade é uma dimensão essencial: a saúde reprodutiva também envolve prazer, desejo, vínculo emocional, bem-estar físico e psicológico. A sexualidade é influenciada por hormônios, emoções, autoestima e qualidade do relacionamento. Por isso, conversar abertamente sobre libido, dor nas relações, desejo e satisfação sexual com o ginecologista também é parte do cuidado integral.

Revisão técnica: Alessandra Bedin (ginecologista, obstetra e nutróloga do Einstein Hospital Israelita (CRM 90562 / RQEs 19534 e 87355) e João Dias, ginecologista e especialista em Reprodução Assistida do Einstein Hospital Israelita (CRM 89292 / RQEs 617711 e 617712)

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