A sildenafila é um medicamento pertencente à classe dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5). Basicamente, ela atua relaxando a musculatura das paredes dos vasos sanguíneos, fazendo com que eles dilatem. Isso reduz a pressão e permite que o sangue circule com mais facilidade.
Costuma ser recomendado para tratar duas condições: a disfunção erétil (dificuldade de alcançar ou manter uma ereção) e a hipertensão arterial pulmonar (elevação da pressão sanguínea nos pulmões).
No caso da disfunção erétil, o fármaco (popularmente conhecido pelo nome comercial “Viagra”) aumenta o fluxo de sangue para o pênis durante a estimulação sexual. Esse aumento do fluxo facilita a ereção. É importante destacar, porém, que a sildenafila não provoca desejo sexual nem causa ereção automaticamente; a resposta ocorre apenas quando há estímulo.
Já na hipertensão arterial pulmonar, a ação ocorre nos vasos que levam o sangue do coração aos pulmões. Ao relaxar essas estruturas, a substância diminui a pressão dentro delas e permite que o sangue circule com menos esforço, o que pode melhorar sintomas como falta de ar e cansaço durante atividades físicas.
Como usar a sildenafila
No Brasil, a sildenafila é classificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com tarja vermelha. Isso significa que sua venda exige a apresentação de uma receita médica. Essa obrigatoriedade existe para manter um maior controle sobre a circulação do remédio, cujo uso inadequado pode trazer riscos graves.
A forma de usar a sildenafila depende da condição que está sendo tratada e da resposta do usuário. Para a disfunção erétil, o medicamento costuma ser tomado sob demanda – ou seja, apenas quando necessário. Em geral, recomenda-se ingerir o comprimido cerca de uma hora antes da relação sexual.
No tratamento da hipertensão arterial pulmonar, por sua vez, a substância costuma ser usada de forma contínua, com doses tomadas várias vezes ao dia em horários regulares. Essa estratégia ajuda a manter uma ação constante no organismo para controlar a pressão nas artérias do pulmão.
Efeitos colaterais
Assim como qualquer medicamento, a sildenafila pode causar efeitos colaterais. A maioria deles é leve e tende a desaparecer com o tempo. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Dor de cabeça;
- Vermelhidão no rosto;
- Nariz entupido;
- Indigestão;
- Náusea;
- Tontura.
Algumas pessoas também relatam dores musculares ou nas costas. Outro efeito possível envolve alterações visuais temporárias, em que o usuário pode ter dificuldade para diferenciar certas cores.
Embora sejam mais raros, ainda existem efeitos adversos mais graves, como o priapismo, uma ereção prolongada e dolorosa que dura mais de quatro horas e exige atendimento médico imediato para evitar danos permanentes. Também já foram relatados episódios de perda súbita de visão ou audição e desmaios.
Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico em um pronto-socorro. Se necessário, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado pelo número 192.
Contraindicações
A sildenafila não deve ser utilizada por pessoas que têm alergia à substância ou a qualquer outro componente do medicamento.
Uma das contraindicações mais importantes envolve o uso simultâneo de medicamentos à base de nitratos, frequentemente prescritos para tratar dores no peito relacionadas a problemas cardíacos, como dinitrato de isossorbida e mononitrato de isossorbida. A combinação dessas substâncias pode provocar uma queda perigosa da pressão arterial.
O fármaco também exige cautela em pessoas com histórico de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), arritmias cardíacas, pressão arterial muito baixa ou doenças graves do coração, fígado ou rins. Nessas situações, a avaliação médica é fundamental antes de iniciar o tratamento.
Esse mesmo cuidado vale para quem tem doenças oculares hereditárias, distúrbios sanguíneos e alterações na anatomia do pênis, cujo tratamento com o remédio pode exigir acompanhamento especial.
Efeito surpresa
Apesar de hoje ser conhecida por seus efeitos na ereção, a sildenafila não foi concebida, inicialmente, para esse fim. No início da década de 1990, pesquisas clínicas buscavam tratamento para prevenir angina e infarto, além de uma forma de controlar a hipertensão arterial.
Os estudos com sildenafila no combate a angina e pressão alta mostraram um efeito muito modesto e sem benefício clínico evidente para os pacientes. Entretanto, muitos relataram de forma espontânea uma melhora importante na ereção e na sua manutenção por um período mais prolongado. Alguns pacientes inclusive relutavam em devolver os comprimidos utilizados na pesquisa devido ao efeito benéfico na função sexual.
Posteriormente, constatou-se que o uso da substância em pessoas com o diagnóstico de hipertensão pulmonar melhorava clinicamente a função respiratória, tornando-as mais tolerantes aos esforços e com melhora da qualidade de vida.




