A beta-alanina é um aminoácido não essencial, ou seja, é produzida naturalmente pelo corpo humano. Embora não seja incorporada diretamente à estrutura das proteínas, desempenha um papel importante ao contribuir para a formação da carnosina, substância presente no interior dos músculos e essencial para a saúde muscular.
A carnosina age como uma espécie de “tampão” dentro dos músculos. Quando fazemos exercícios intensos, esses tecidos produzem substâncias que os “acidificam”, daí vem a sensação de “queimação” ou aquele famoso cansaço rápido na musculatura. Quando há excesso de carnosina, esse efeito de acidez muscular demora mais a aparecer, promovendo um melhor desempenho nos treinos antes da musculatura “se cansar”.
Por isso, há quem queira suplementar a beta-alanina ou aumentar seu aporte por meio da alimentação. Ela está presente em alimentos de origem animal, como carnes bovinas, suínas e de frango, além de peixes.
Quando suplementar?
A suplementação de beta-alanina é comum nos casos de praticantes de atividades físicas de alta intensidade que buscam reduzir a fadiga muscular ou para pessoas idosas que buscam melhorar a saúde muscular.
Quando a dieta associada ao treino exige mais desempenho, como acontece com atletas ou praticantes de esportes de alta intensidade, a suplementação deve ser contínua (pelo menos por quatro a 12 semanas), com a dose indicada por médico ou nutricionista.
Lembrando que a suplementação de beta-alanina, assim como qualquer outra, deve ser feita de forma adequada e individualizada. E o uso da substância não substitui o papel dos exercícios físicos ou do acompanhamento com fisioterapeuta.
Efeitos colaterais
Existem alguns efeitos colaterais já conhecidos provocados pela suplementação de beta-alanina. O mais conhecido é a parestesia, aquela sensação de formigamento ou “coceirinha” em áreas como pele, rosto, pescoço e mãos. Se usada em altas doses, pode produzir também desconfortos gastrointestinais que causam sensações de enjoo, dores abdominais leves, gases ou cólicas.
Pessoas com doenças renais ou com a função renal comprometida devem usá-la somente com indicação e acompanhamento médico, pois os rins participam da excreção de muitos resíduos do metabolismo. Se o uso do suplemento aumentar a carga metabólica ou se houver acúmulo de subprodutos, os órgãos ficarão sobrecarregados e isso pode causar a perda da função renal ou a progressão da condição patológica.
O mesmo alerta vale para pacientes com doenças hepáticas, já que o fígado participa do metabolismo dos aminoácidos. Existe também a possibilidade de interação da beta-alanina com alguns medicamentos usados nos tratamentos dessas condições, gerando efeitos adversos.
Revisão técnica: Leandro Thome Baptista, nutricionista (CRN1 12448) do Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (HUGO), unidade pública gerida pelo Einstein Hospital Israelita.




