O resveratrol é um polifenol, composto natural produzido por algumas plantas como forma de defesa contra agentes externos, como fungos, e contra a radiação solar. É bem conhecido pela sua ação antioxidante, que ajuda nossas células a se protegerem contra danos durante o processo de envelhecimento.
É possível encontrar o resveratrol em alguns alimentos do dia a dia, como uvas escuras (incluindo o suco integral), amora, mirtilo, framboesa e outras frutas vermelhas e roxas, além de amendoim e pistache, por exemplo.
Quais os benefícios?
O resveratrol tem um papel importante no combate ao estresse oxidativo, processo que danifica nossas células e está ligado ao envelhecimento, doenças cardiovasculares e distúrbios metabólicos. Além disso, há estudos que sugerem funções anti-inflamatórias, que ajudam na saúde geral do organismo; apoio à saúde dos vasos sanguíneos e redução de inflamações crônicas; além de ação protetora das células contra agressões externas como a poluição e a radiação ultravioleta (UV).
Existem evidências robustas de que o resveratrol é um grande aliado do coração e do cérebro. A ação antioxidante e anti-inflamatória parece ajudar na proteção das células nervosas e cardíacas, melhorando a circulação e tendo efeitos positivos na cognição e memória, especialmente em pessoas idosas.
Algumas evidências científicas sugerem que ele pode reduzir o colesterol ruim, porém de forma discreta. Isso porque o resveratrol pode impedir que o LDL se oxide, o que reduz o risco de formação de placas nos vasos. Porém, ele não é um “remédio para colesterol”.
Todos esses efeitos só aparecem quando o consumo de fontes de resveratrol está associado a hábitos saudáveis, juntamente com uma alimentação equilibrada, e não de forma isolada e independente.
Pele mais bonita
Por ser um antioxidante, esse polifenol ajuda a neutralizar os radicais livres. No caso da pele, esse efeito pode contribuir para retardar sinais de envelhecimento como linhas finas e perda de firmeza na pele. No entanto, o efeito depende muito da forma de uso e da concentração de resveratrol no produto.
O uso da substância em cosméticos não substitui o protetor solar e a prevenção de danos causados pelo sol. Essas sim são as principais ferramentas contra o envelhecimento decorrente dessa exposição.
Vale a pena suplementar?
A maioria das pessoas que têm uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes já recebe uma boa dose de antioxidantes naturalmente. Porém, indivíduos com grandes restrições alimentares e idosos podem se beneficiar com a suplementação de resveratrol.
Porém, vale lembrar que o resveratrol tem baixa absorção no corpo e nem toda dose ingerida é aproveitada. Por esse motivo, o acompanhamento com um profissional médico ou nutricionista é fundamental para ajustar a dose e avaliar o custo-benefício real.
Nas quantidades presentes nos alimentos, não há riscos conhecidos do uso de resveratrol. Mas em forma de suplemento, doses elevadas podem causar desconfortos gastrointestinais, como náusea e diarreia, interações negativas com medicamentos anticoagulantes, aumentando o risco de sangramento e hemorragias.
Há também uma possível interferência nos efeitos de medicações hepáticas, por isso a suplementação deve ser sempre orientada por médico ou nutricionista, especialmente em pessoas que usam medicamentos de forma contínua.
Cuidado com o vinho
Muitos associam o resveratrol ao consumo de vinho tinto. A bebida realmente contém a substância, porque é produzida a partir da casca das uvas escuras, nas quais esse composto está concentrado.
Mas a quantidade presente em uma taça é muito pequena: seria preciso beber vários litros de vinho por dia para atingir as doses estudadas em pesquisas científicas. Isso seria extremamente prejudicial à saúde, uma vez que o álcool causa uma sobrecarga ao fígado, contribui para o aumento dos triglicerídeos e também traz um maior risco para o desenvolvimento de doenças metabólicas.
Por isso, o consumo de vinho não deve ser usado como estratégia para obter resveratrol no dia a dia.
Revisão técnica: Leandro Thome Baptista, nutricionista (CRN1 12448) no Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (HUGO), unidade pública gerida pelo Einstein Hospital Israelita




