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Recuperar a cartilagem (e outras estruturas) é um sonho que se aproxima da realidade, inclusive em pesquisas feitas no Einstein
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Terapias celulares abrem as portas para a regeneração de tecidos na Ortopedia

Recuperar a cartilagem e outras estruturas é um sonho que se aproxima da realidade, inclusive em pesquisas feitas no Einstein

Um dos desafios de manejar problemas que comprometem a cartilagem das articulações, como a osteoartrite, é o de que esse tecido não se regenera com os tratamentos convencionais – o que se faz no dia a dia é frear o quadro e amenizar os sintomas. Mas a terapia celular desponta como uma opção, e por isso é estudada no Einstein.

Em uma linha de pesquisas, a aposta está no chamado implante autólogo de condrócitos (nome das células que compõem a cartilagem). A técnica tem, em resumo, três etapas:

1. Retirada de um fragmento da cartilagem do joelho do paciente;

2. Expansão dos condrócitos retirados – ou seja, uma multiplicação dessas células em laboratório;

3. Quando chegam a um número adequado, os condrócitos são envolvidos em uma membrana (já comercializada e aprovada para uso) e devolvidos ao próprio paciente.

Com o passar do tempo, os condrócitos reinjetados regeneram a cartilagem danificada do indivíduo. Em outros países, essas células manuseadas já existem como produtos registrados, mas há dificuldades de trazê-las para o Brasil.

“Desde 2017, decidimos estudar essa tecnologia para disponibilizá-la aqui", explica Eliane Antonioli, especialista em Ortopedia, e líder desses trabalhos.

Em 2022, pesquisadores do Einstein publicaram um estudo com três voluntários que demonstrou a capacidade de produção das células e a segurança no uso em pacientes Brasil. Isso motivou a continuidade das pesquisas.

Por causa de atualizações na área e de recentes parâmetros adotados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, os processos para a criação dessas células no Einstein estão sendo atualizados.

Para manusear e estudar as células do implante autólogo de condrócitos, os profissionais utilizam a chamada Sala Limpa. A Ortopedia foi uma das primeiras a ocupar o espaço no Einstein com os testes de terapia celular. Nesse espaço, é possível desenvolver produtos avançados sem risco de contaminação.

A Sala Limpa do Einstein abarca muitos estudos com variadas terapias.

A Sala Limpa do Einstein abarca muitos estudos com variadas terapias.

Há diferentes equipamentos de ponta dentro de uma sala limpa.

Há diferentes equipamentos de ponta dentro de uma sala limpa.

 Processos rígidos são seguidos para evitar a contaminação desse ambiente.

Processos rígidos são seguidos para evitar a contaminação desse ambiente.

Se tudo der certo, o implante autólogo de condrócitos seria usado inclusive em unidades do Sistema Único de Saúde, segundo Mario Lenza, gerente médico da Ortopedia do Einstein.

“Nós montaríamos os condrócitos com todas as estruturas e níveis de segurança e enviaríamos, por exemplo, para Salvador, onde gerenciamos um hospital público exclusivamente ortopédico”, aponta Lenza. É o Hospital Ortopédico do Estado da Bahia (HOEB). 
 

“Queremos disseminar esse tratamento inovador para o Brasil e capacitar outros centros para desenvolverem esse produto"

Eliane Antonioli, especialista em Ortopedia
 

Células mesenquimais e microvesículas

Outra linha de estudos que busca tratamentos para regenerar as cartilagens se apoia nas células mesenquimais, um tipo de célula-tronco que pode se diferenciar para formar algumas outras células do corpo. No Einstein, pesquisadores vêm utilizando células mesenquimais do tecido adiposo (da gordura das pessoas) para esse mesmo fim.

Nesse caso, o material coletado não precisa ser do próprio paciente. “A pretensão é obter o tecido adiposo de pessoas submetidas à lipoaspiração da região abdominal. Como esse material seria descartado, pedimos para o indivíduo cedê-lo à pesquisa”, explica Antonioli.

Aí as células mesenquimais coletadas são expandidas, caracterizadas, envoltas em uma membrana de colágeno e infundidas na articulação de um paciente ortopédico. Essa é uma alternativa para o uso dos condrócitos, evitando a cirurgia para a coleta da cartilagem.

Também está em testes no Einstein a utilização de vesículas celulares para o tratamento de hérnia de disco e artrose de joelho. Essas vesículas são partículas que as células liberam, principalmente as mesenquimais. E seriam utilizadas de forma similar, com a vantagem de terem uma manufatura mais simples.

A produção de conhecimento do tipo e o avanço de diferentes linhas de tratamentos avançados abre novas perspectivas para a Ortopedia, às quais o Einstein já está navegando. 
 

“Nosso objetivo é buscar novos tratamentos para diferentes desafios da Ortopedia, não só para a regeneração da cartilagem, como a regeneração de ligamentos"

Eliane Antonioli, especialista em Ortopedia

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