O metilfolato é a forma ativa da vitamina B9, ou seja, o ácido fólico em sua forma biologicamente disponível para o organismo. Em geral, uma alimentação equilibrada é suficiente para fornecer quantidades adequadas desse nutriente. Trata-se de uma vitamina hidrossolúvel, isto é, que se dissolve em água, encontrada principalmente em folhas verde-escuras, leguminosas, frutas e grãos integrais.
No organismo, o ácido fólico passa por uma série de reações enzimáticas até se transformar em metilfolato. Esse processo inclui sua conversão em di-hidrofolato (DHF) e, posteriormente, em tetraidrofolato (THF). A etapa final é catalisada pela enzima metilenotetrahidrofolato redutase, conhecida pela sigla MTHFR.
Funções no organismo
O metilfolato desempenha funções vitais, sendo essencial para diversos processos metabólicos e para a saúde geral. As principais incluem:
- Funcionamento do sistema imunológico: colabora para o bom funcionamento do sistema de defesa do organismo;
- Formação de células sanguíneas: auxilia na formação das células vermelhas do sangue (hemácias), prevenindo certos tipos de anemia (anemia megaloblástica);
- Formação do tubo neural do feto: ele é essencial para mulheres grávidas ou que planejam engravidar, pois auxilia na prevenção de defeitos congênitos graves no bebê, como espinha bífida, lábio leporino e anencefalia;
- Processo de divisão celular: importante para garantir que a divisão celular ocorra corretamente em todo o corpo;
- Metabolismo da homocisteína: ajuda a reduzir os níveis de homocisteína no sangue, pois níveis elevados dessa substância estão associados a um maior risco de doenças cardiovasculares (infarto e derrame), trombose e até doença de Alzheimer;
- Saúde neurológica e humor: o metilfolato está envolvido na produção de neurotransmissores cerebrais fundamentais, como noradrenalina, serotonina e dopamina, que regulam o humor, o sono e a função cognitiva. Por esses motivos, podem potencializar os tratamentos para depressão;
- Síntese de DNA e RNA: é crucial para a síntese de material genético, fundamental para a renovação e reparação celular em todo o corpo. O DNA armazena as informações genéticas e o RNA atua na produção de proteínas;
- Saúde capilar: contribui para manter os melanócitos saudáveis e ativos, o que pode retardar o aparecimento de cabelos brancos.
Deficiência traz problemas
A falta do metilfolato pode determinar uma série de reações, incluindo uma anemia megaloblástica, quando os glóbulos vermelhos ficam anormalmente grandes (macrócitos) e podem surgir sintomas como cansaço e fraqueza. Exames laboratoriais podem apontar deficiência de ácido fólico, que pode estar relacionada com o aumento da homocisteína (aminoácido produzido naturalmente no corpo a partir do metabolismo da metionina), e a hiper-homocisteinemia, caracterizada por níveis elevados de homocisteína no sangue, o que está associado a um maior risco de doenças cardiovasculares.
No entanto, é importante destacar que a deficiência de metilfolato é incomum, já que, na maioria dos casos, a alimentação é suficiente para garantir níveis adequados desse nutriente. A suplementação pode ser indicada em situações específicas, como em algumas doenças que comprometem a capacidade de conversão do ácido fólico em sua forma ativa, em condições crônicas como a aids, ou ainda na presença de alterações genéticas que dificultam ou impedem essa transformação.
A suplementação também pode ser recomendada em situações como desnutrição grave, doenças disabsortivas — condições que comprometem a absorção adequada de nutrientes pelo intestino e podem levar a deficiências nutricionais — e perda de peso significativa.
Por outro lado, suplementar sem uma indicação clínica clara não é recomendado. Antes de iniciar o uso, é fundamental consultar um profissional de saúde, que poderá avaliar a real necessidade, confirmar a indicação e prescrever a dose mais adequada para cada caso.
Revisão técnica: Celso Cukier, nutrólogo do Einstein Hospital Israelita (CRM 65052).




