O colágeno é a proteína mais abundante do corpo humano e desempenha papel essencial, conferindo força e sustentação a tecidos como pele, ossos, cartilagens, tendões e ligamentos.
Sua produção ocorre a partir de aminoácidos, mas tende a diminuir com o envelhecimento e sob influência de fatores como tabagismo, consumo elevado de açúcar e exposição solar excessiva.
Entre os diversos tipos de colágeno existentes, dois se destacam:
Tipo 1: predominante na pele, unhas, cabelos, ossos e tendões. Está associado a firmeza e elasticidade da pele.
Tipo 2: encontrado principalmente na cartilagem, com papel importante na saúde e na mobilidade das articulações.
Por ser uma proteína, o colágeno, para ser absorvido, precisa ser quebrado em aminoácidos durante a digestão. Uma vez na circulação sanguínea, os aminoácidos ficam disponíveis para a produção de várias proteínas. Dependendo da demanda do organismo, eles não produzirão colágeno novamente. Portanto, não há garantia de que a alimentação e/ou suplementação irá aumentar a produção desse tipo de proteína no organismo.
Menos colágeno com a idade
Conforme envelhecemos, nosso corpo produz menos colágeno e o que já temos vai se desgastando rapidamente. Ao entrarem na menopausa, as mulheres têm a produção de colágeno significativamente reduzida. Já após os 60 anos, todos vivenciam a diminuição da produção dessa proteína.
Não é possível medir o colágeno, por exemplo, em um exame de sangue. Porém, o corpo pode dar sinais de que o nível está diminuindo. Entre eles:
- Pele enrugada e/ou flácida;
- Olheiras e bolsas ao redor dos olhos;
- Encolhimento, enfraquecimento muscular e dores musculares;
- Tendões e ligamentos mais rígidos e menos flexíveis;
- Dor nas articulações ou osteoartrite, devido ao desgaste da cartilagem;
- Perda de mobilidade devido a danos ou rigidez nas articulações;
- Problemas gastrointestinais devido ao afinamento do revestimento do trato digestivo;
- Problemas com o fluxo sanguíneo.
Suplementar colágeno: sim ou não?
O debate sobre a funcionalidade dos suplementos de colágeno permanece. Seus benefícios podem ser mais aumentados do que as evidências científicas realmente comprovam. Mais estudos publicados são necessários para demonstrar os verdadeiros benefícios dos suplementos de colágeno para a saúde.
Algumas pesquisas mostram a redução do processo inflamatório e melhora das dores articulares, porém, cada caso deve ser avaliado individualmente e com acompanhamento a longo prazo. Não há contraindicação em se tomar mais de um tipo de colágeno ao mesmo tempo, pois um não interfere na absorção do outro, mas é importante consultar um médico ou nutricionista para obter a dosagem correta e entender as necessidades individuais.
Em relação à pele, a ideia de que colágeno oral “melhora flacidez” não é sustentada por estudos realmente robustos. Em muitos casos, não há grupo controle adequado, randomização clara ou cegamento do avaliador (técnica de pesquisa que impede o avaliador de saber a qual grupo um participante pertence ou qual intervenção ele recebeu, com o objetivo de evitar tendências na coleta e análise dos dados), aumentando o risco de viés.
Além disso, vários estudos misturam colágeno com outros ativos (vitaminas, antioxidantes, ácido hialurônico), o que impede saber se algum eventual efeito viria do colágeno em si ou do “pacote” todo.
Outro aspecto importante é que, do ponto de vista fisiológico, o colágeno ingerido é quebrado em aminoácidos e pequenos peptídeos no trato digestivo, assim como qualquer outra proteína obtida por meio dos alimentos. Não há evidência consistente de que esses peptídeos “viajem direto para a pele”, em quantidade e de forma seletiva, a ponto de reverter flacidez clínica.
Os poucos trabalhos que mostram alguma melhora em elasticidade costumam apontar diferenças muito pequenas, nem sempre clinicamente relevantes, e dificilmente reproduzíveis na prática. Diante da ausência de ensaios clínicos grandes, independentes, bem desenhados e com desfechos objetivos (por exemplo, medidas padronizadas de elasticidade, espessura dérmica e avaliação cega), não é possível afirmar que o colágeno oral seja eficaz para tratar flacidez; no máximo, podemos dizer que a evidência atual é fraca e inconclusiva.
Revisão técnica: Daniela Boulos (CRN3 21186) e Débora Donio (CRN3 14814), nutricionistas do Einstein Hospital Israelita, e Isadora Rosan, médica dermatologista (CRM GO 28464/RQE 89393) no Einstein em Goiânia.




