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Dengue: quais remédios podem ser usados e quais devem ser evitados?

Atualizado em 29/12/2025
Tempo de leitura: 3 minutos

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Um mosquito Aedes aegypti, transmissor  da dengue, zika e chikungunya em ação

Logo que um caso de dengue é identificado, o foco principal é assegurar a hidratação adequada do paciente, a fim de evitar complicações. Não existe um tratamento medicamentoso específico.

Os médicos costumam recomendar analgésicos e antitérmicos, que servem para aliviar os típicos sintomas de febre e dor. Paracetamol e dipirona são dois exemplos de medicamentos indicados, já que não aumentam o risco de sangramentos, que é uma das complicações mais graves da doença.

Por outro lado, anti-inflamatórios, salicilatos e corticoides devem ser evitados, por prejudicarem a capacidade de coagulação e favorecerem esse tipo de ocorrência. Esses grupos incluem medicamentos comuns como ibuprofeno, ácido acetilsalicílico, diclofenaco, naproxeno, nimesulida, prednisona e dexametasona.

Remédios que podem ser indicados

Entre os medicamentos prescritos em casos de dengue, o paracetamol é o mais utilizado para aliviar febre, dores musculares e de cabeça. Ele está disponível em comprimidos, gotas e xarope, mas deve ser usado apenas com orientação médica, especialmente por pessoas com doenças hepáticas ou que consomem álcool com frequência.

A dipirona é outro analgésico seguro para a dengue. Ela também reduz febre e desconforto, mas é contraindicada para quem tem doenças da medula óssea ou alergia ao próprio medicamento, ou a substâncias semelhantes.

Além dos analgésicos, o tratamento pode incluir antieméticos para controlar náuseas e vômitos. Metoclopramida e bromoprida são opções comuns, embora sejam contraindicadas para as crianças menores de 1 ano, pessoas com epilepsia, obstruções gastrointestinais ou determinadas condições neurológicas. Gestantes e lactantes também devem evitar a bromoprida e só usar a metoclopramida se houver indicação médica.

Para aliviar coceiras provocadas por lesões na pele, médicos podem indicar antialérgicos como loratadina, além de desloratadina ou hidroxizina. Contudo, esses medicamentos não são recomendados a crianças muito pequenas, gestantes, lactantes e pessoas com problemas renais, hepáticos ou com certos tipos de asma.

Lembrando que a hidratação é a base do tratamento contra a dengue. Soluções de reidratação oral, com citrato de sódio, cloreto de potássio e cloreto de sódio ou soro caseiro, ajudam a repor líquidos e sais perdidos, especialmente quando há vômito. Em casos de desidratação grave, pode ser necessário administrar soro na veia durante a internação hospitalar.

Medicamentos proibidos

A dengue compromete as plaquetas e a integridade dos vasos sanguíneos, aumentando naturalmente o risco de sangramentos. Por isso, formulações que interferem na coagulação ou prejudicam a ação das plaquetas são proibidas.

Esse é o caso dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno, indometacina, cetoprofeno e nimesulida, que dificultam a agregação das plaquetas e elevam o risco de hemorragia. Remédios à base de ácido acetilsalicílico também podem piorar o quadro e ainda alterar o pH sanguíneo, contribuindo para quadros de acidose metabólica.

Os corticoides – grupo que inclui prednisona, prednisolona, dexametasona e hidrocortisona – tampouco são recomendados. Eles não são benéficos no controle da dengue e podem reduzir a defesa imunológica, além de aumentar sangramentos. Já anticoagulantes, como a varfarina, usados por pacientes cardíacos ou com histórico de trombose, representam risco ainda maior, exigindo orientação médica imediata caso haja suspeita de infecção.

Outro medicamento que não se deve usar é a ivermectina. Não há evidências de que o antiparasitário tenha qualquer efeito contra o vírus da dengue ou ofereça benefício clínico ao paciente.

A automedicação nunca é uma prática recomendada. Mas, em quadros de dengue, ela é especialmente perigosa. O uso de medicamentos proibidos pode mascarar sintomas, postergar a busca por atendimento profissional e atrasar o diagnóstico de formas graves da doença.

Sinais de alarme

É fundamental buscar ajuda médica ao perceber dor abdominal intensa, vômito persistente, sangue nas fezes, na urina ou nas gengivas, queda da pressão arterial, sonolência excessiva, irritabilidade ou confusão mental. Esses sinais indicam risco de evolução para dengue grave, quando podem ocorrer hemorragias e até choque circulatório.

Alexandre R. Marra, CRM 877172  Pesquisador do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade trabalhe de Ciências da Saúde Albert Einstein

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